Um mês após a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, a investigação conduzida pela Polícia Civil do Tocantins continua em andamento. O menino foi encontrado morto na residência do pai, em Palmas, e a perícia descartou a hipótese inicialmente relatada de afogamento.
O pai da criança, Igor Gustavo Veloso de Sousa, e a companheira dele, Kathellen Moreira, estão presos preventivamente e são investigados por homicídio duplamente qualificado e tortura.
O caso veio à tona no dia 3 de agosto, quando o pai procurou uma delegacia para comunicar a morte do filho, que teria ocorrido no dia anterior. O exame pericial realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), no entanto, apontou que Gustavo morreu em decorrência de uma laceração intestinal e hemorragia interna provocadas por lesões graves.
Investigação aponta histórico de possíveis agressões
Durante a apuração, a mãe da criança, Sabrina Feitosa, entregou à Polícia Civil fotografias, vídeos e outros registros que, segundo os investigadores, indicariam que Gustavo apresentava marcas de agressão após retornar de visitas à casa do pai desde 2024.
Um dos vídeos apresentados mostra o menino chorando e se recusando a ir para a residência do pai. Segundo o delegado responsável pelo caso, também existem imagens nas quais a criança aparece com lesões e outras em que estaria, conforme avaliação da investigação, “nitidamente dopado”.
A Polícia Civil também investiga a possibilidade de o crime estar relacionado à chamada violência vicária, quando a violência contra uma pessoa próxima é utilizada como forma de provocar sofrimento, punição ou controle sobre uma mulher.
O conceito passou a ser mencionado expressamente na legislação brasileira em abril de 2026, após alteração da Lei Maria da Penha.
Pai e madrasta permanecem presos
Igor Gustavo Veloso de Sousa está custodiado na Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPPP). Kathellen Moreira está presa na Unidade Prisional Feminina da capital.
As defesas dos dois investigados afirmaram, em manifestações anteriores, que ambos se apresentaram espontaneamente às autoridades e destacaram que a investigação tramita sob sigilo.
A defesa de Igor afirmou que ele aguardou em sua residência a chegada dos policiais após manter contato com a autoridade responsável, negando que tenha sido capturado após buscas.
Já a defesa de Kathellen questionou a prisão preventiva e destacou que ela é mãe de uma bebê de cinco meses e está em período de amamentação. Os advogados informaram que pretendem solicitar a substituição da prisão por medidas cautelares ou prisão domiciliar.
O que acontece agora?
A Polícia Civil continua reunindo elementos para esclarecer as circunstâncias da morte de Gustavo e definir as responsabilidades no caso.
Até o momento, os dois investigados permanecem presos preventivamente. As acusações ainda estão sob investigação e os envolvidos têm direito à presunção de inocência até eventual decisão judicial definitiva.


