*Por Joana Castro
Agosto, no Tocantins não é apenas um mês no calendário. É um período que historicamente traz consigo o peso da seca extrema e das queimadas que devastam o estado. Ano após ano, a população se vê refém das chamas e da fumaça, enquanto o poder público insiste em tratar o problema como se fosse uma surpresa, e não uma realidade previsível.
O relato de um cidadão de Palmas, nesse domingo, 16, escancara a fragilidade da estrutura de atendimento emergencial. Ao ligar para os números oficiais em busca de socorro diante de um incêndio que atingia sua chácara — em pleno momento de celebração familiar, com crianças e convidados expostos ao risco — recebeu como resposta a ausência de equipes disponíveis. Foi encaminhado de um número a outro, como se a vida das pessoas pudesse esperar. Enquanto isso, o fogo avançava, a fumaça sufocava e o desespero crescia.
É inadmissível que, em pleno século XXI, ainda se aceite que a população fique à deriva em situações de risco iminente. O cidadão pergunta, com razão: “que poder público é esse que não estabelece prioridades para o bem comum? Que governo é esse que investe em tantas áreas secundárias, mas falha em garantir o básico — equipamentos modernos, efetivo humano suficiente e planejamento estratégico para enfrentar os períodos críticos?”
Não se trata apenas de apagar incêndios. Trata-se de proteger vidas, preservar o meio ambiente e assegurar dignidade. A cada foco de fogo não atendido, a cada família exposta ao perigo, a incompetência estatal se torna mais evidente. O Tocantins não pode continuar refém da omissão.
Este editorial é um chamado à consciência coletiva e, sobretudo, à responsabilidade governamental. É urgente que se invista em brigadas equipadas, em treinamento contínuo e em reforço de efetivo. É urgente que se reconheça que agosto não é exceção, mas regra. E que, diante dessa regra, o Estado deve estar preparado para agir com rapidez e eficiência.
A população não pede luxo. Pede segurança. Pede que suas demandas sejam atendidas com prioridade. Pede que o poder público deixe de olhar para o próprio umbigo e passe a enxergar a realidade do munícipe. Porque enquanto o fogo consome o cerrado, consome também a confiança da sociedade em seus governantes. E confiança, uma vez queimada, não se reconstrói com facilidade.
“E, pois é. É isso aí”. (SWR)


