*Por Joana Castro
A coletiva de imprensa convocada pelo senador Irajá Silvestre, para lançar Mauro Carlesse, ex-governador, como seu suplente e Ivanete Lima como candidata ao segundo voto do partido para o Senado, escancarou uma fissura profunda dentro do PSD do Tocantins. O gesto não foi apenas um anúncio político, mas um movimento calculado que atropelou acordos previamente estabelecidos.
Isso porque, ao firmar aliança com o PT, o presidente estadual do PSD e candidato ao Governo, Laurez Moreira, havia aceitado a indicação de Paulo Mourão como o nome do Partido dos Trabalhadores para disputar essa segunda vaga. A decisão de Irajá, portanto, não apenas desconsidera Laurez, mas desafia frontalmente a lógica da aliança construída.
O impacto na sucessão de 2026
O episódio traz implicações diretas para a sucessão de 2026. Ao impor Ivanete Lima sem diálogo, Irajá cria um ambiente de desconfiança e instabilidade dentro da base pessedista.
O PT, que já havia consolidado Paulo Mourão como seu representante no Senado, dificilmente aceitará abrir mão dessa candidatura. Isso coloca Laurez Moreira em uma encruzilhada: manter a fidelidade ao acordo com o PT ou ceder à pressão interna do PSD.
Qualquer escolha terá reflexos. Se Laurez sustentar Mourão, reforça sua imagem de lealdade e coerência, mas corre o risco de aprofundar o racha com Irajá. Se ceder, pode fragilizar sua credibilidade junto ao PT e ao eleitorado que vê em Mourão um nome ético e alinhado ao presidente Lula.
O movimento de Irajá revela uma estratégia de sobrevivência política. Ao perceber que sua reeleição ao Senado está ameaçada pela força de Paulo Mourão entre os eleitores petistas e lulistas, o senador busca criar alternativas que lhe garantam espaço. Ivonete Lima surge como peça dessa engrenagem, mas sua entrada no tabuleiro pode gerar mais turbulência do que estabilidade.
A disputa pela segunda vaga ao Senado, que deveria ser um ponto de convergência da aliança, transforma-se em epicentro de conflito. O PSD, ao invés de se apresentar como força coesa, expõe ao público suas fragilidades internas.
O desafio de Laurez
Laurez Moreira, como presidente estadual do PSD e candidato ao Governo do Tocantins, precisa dar uma resposta clara. Sua postura diante desse embate definirá não apenas sua liderança dentro do partido, mas também sua capacidade de conduzir alianças estratégicas rumo a 2026.
O silêncio ou a omissão podem ser interpretados como fraqueza. Uma posição firme, por outro lado, pode consolidar sua imagem de homem público ético e coerente, ainda que custe o desgaste com Irajá.
O Tocantins assiste, atento, a um capítulo que pode redefinir os rumos da sucessão estadual. O PSD, que deveria ser protagonista, corre o risco de se tornar refém de suas próprias divisões.
“É, pois é. É isso aí”. (SWR)

