Ação complementar utiliza mosquitos com bactéria natural que impede a transmissão dos vírus
Chegou a vez de Palmas implantar a mais nova tecnologia para reduzir a transmissão da dengue, zika e chikungunya. A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (Semus), em parceria com o Ministério da Saúde, Fiocruz e a Wolbito do Brasil, dará início ao método Wolbachia. A inovação, já utilizada com sucesso em outras cidades do país, prevê a liberação gradual dos mosquitos chamados ‘Wolbitos’ em diversas regiões da Capital.
A primeira etapa do projeto foi realizada entre os dias 22 e 26 de junho, quando equipes percorreram as áreas contempladas para apresentar a tecnologia à população e realizar uma pesquisa sobre o conhecimento e a percepção dos moradores em relação ao método. O resultado indicou que, de 719 pessoas entrevistadas, 86,1% concordaram com a implantação da inovação.
A previsão é que as liberações dos Wolbitos sejam iniciadas na segunda quinzena de outubro e ocorram durante 26 semanas. Antemão a isso, será criado na Unidade de Vigilância e Controle de Zoonoses (UVCZ) um insetário para criar os mosquitos Aedes aegypti contendo a bactéria Wolbachia.
Como funciona
Os Wolbitos são mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, presente naturalmente em mais da metade dos insetos existentes na natureza e que não oferece riscos às pessoas, aos animais ou ao meio ambiente.
Essa bactéria impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro do mosquito. Com isso, mesmo que o inseto pique uma pessoa infectada, ele não consegue transmitir essas doenças para outras pessoas.
Após serem liberados, os Wolbitos cruzam com os mosquitos que já vivem na cidade. Os filhotes também passam a carregar a Wolbachia e, ao longo do tempo, a maioria da população de mosquitos da região passa a possuir essa característica, reduzindo de forma contínua a circulação dos vírus. Por esse motivo, o método é considerado natural, seguro e autossustentável, não sendo necessárias novas liberações após a consolidação da bactéria na população de mosquitos.
Tecnologia complementa ações já realizadas
A Semus reforça que o Método Wolbachia não substitui as ações tradicionais de combate ao mosquito. A tecnologia é uma estratégia complementar e depende da participação da população para alcançar os melhores resultados.
Por isso, os moradores devem continuar eliminando possíveis criadouros do Aedes aegypti, evitando água parada, mantendo caixas d’água fechadas, limpando calhas, descartando corretamente recipientes que possam acumular água, mantendo quintais limpos e colaborando com o trabalho realizado pelos Agentes de Combate às Endemias (ACEs).
A combinação entre a eliminação dos criadouros e a implantação da nova tecnologia amplia a proteção da população contra as arboviroses.
Resultados já comprovados
O Método Wolbachia é respaldado por estudos científicos e já foi implementado em 15 países tendo a Indonésia com -77% de casos de dengue; Austrália com -96% e Vietnã com -86% de casos da doença. No Brasil, a tecnologia já está há dez anos em algumas cidades. Em Niterói (RJ), por exemplo, dados recentes apontam redução de até 89% nos casos de dengue após a implantação da tecnologia, -60% de chikungunya e -37% de zika.
Com a iniciativa, Palmas passa a integrar o grupo de municípios que adotam soluções inovadoras para fortalecer a prevenção das arboviroses e reduzir o impacto dessas doenças na saúde da população.


