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Misoginia e fragmentação: o desastre político que ameaça Flávio Bolsonaro

*Por Joana Castro

Nos últimos dias, o assunto dominante, tanto nos sites de notícias quanto nas redes sociais de políticos e influenciadores foram as declarações desastrosas de Paulo Figueiredo, apontado como um dos principais porta-vozes da família Bolsonaro, ao afirmar que “mulheres votam muito mal, especialmente as solteiras”, que representam um ataque direto e misógino contra mais da metade do eleitorado brasileiro. Ao desqualificar o voto feminino e ironizar figuras como Michelle Bolsonaro e Damares Alves, Figueiredo reforça estereótipos retrógrados e cria um desgaste político imediato.

A fala não apenas é estatisticamente infundada, como também politicamente suicida: em um país onde as mulheres são maioria nas urnas, qualquer tentativa de minimizar sua importância é vista como um gesto de desprezo e exclusão.

O impacto na campanha de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, tentou se desvincular das declarações, afirmando que Paulo Figueiredo “não faz parte da campanha”. No entanto, o dano já está consolidado. A associação entre o bolsonarismo e o discurso antimulher é inevitável e reforça a percepção de que o movimento é hostil às eleitoras.

Pesquisas já indicavam baixa adesão feminina ao projeto político de Flávio. Agora, em vez de conquistar esse segmento, a campanha se vê obrigada a reagir defensivamente. Propostas voltadas às mulheres foram anunciadas, mas soam como medidas tardias e pouco convincentes diante da gravidade da crise.

Tiro pela culatra: a revelação de Paulo Figueiredo

Ironicamente, o próprio Paulo Figueiredo admitiu em entrevista publicada nas redes sociais ter orientado Flávio Bolsonaro a desautorizá-lo publicamente, numa tentativa de “descolar” sua imagem dos assuntos relacionados à campanha presidencial. A confissão expõe uma estratégia calculada: criar uma distância artificial entre o senador e seu mentor, mesmo todos sabendo que Figueiredo é um dos principais estrategistas políticos de Flávio.

Essa revelação torna a narrativa de “desvinculação” ainda mais frágil. Ao invés de afastar o desgaste, confirma que há uma tentativa deliberada de manipular a percepção pública, o que pode ampliar a desconfiança entre eleitoras e analistas políticos.

O afastamento de Michelle Bolsonaro

A situação se agrava com o afastamento de Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, da presidência do PL Mulher. Michelle acusou Flávio de desrespeito e rompeu politicamente com o senador.

Sua saída representa a perda de uma ponte fundamental com eleitoras religiosas e conservadoras. Michelle era vista como a principal liderança feminina capaz de suavizar a imagem dura do bolsonarismo e atrair mulheres para o projeto político. Sem ela, Flávio perde capital simbólico e legitimidade junto a esse público.

Fragmentação e riscos eleitorais

O episódio expõe não apenas misoginia, mas também a fragmentação interna da família Bolsonaro. O afastamento de Michelle e os ataques de Paulo Figueiredo criam uma tempestade perfeita contra Flávio:

Isolamento político: sem Michelle e com críticas de parlamentares mulheres, o senador perde apoio estratégico.

Erosão eleitoral: mulheres são maioria do eleitorado; perder esse segmento pode inviabilizar sua candidatura.

Imagem pública: a campanha passa a ser vista como misógina e desagregadora, em contraste com adversários que buscam ampliar inclusão.

Campo minado

Os ataques de Paulo Figueiredo às mulheres e o afastamento de Michelle Bolsonaro não são apenas episódios isolados: juntos, eles revelam a fragilidade estrutural da candidatura de Flávio Bolsonaro. Sem credibilidade junto às eleitoras e sem a força simbólica de Michelle, o senador enfrenta um campo minado.

O bolsonarismo, que já sofria resistência entre mulheres, agora se vê diante de uma crise que pode comprometer de forma definitiva sua viabilidade eleitoral.

“É, pois é. É isso aí”. (SWR)

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