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El Niño pode reduzir chuvas e elevar riscos para próxima safra no Tocantins

Professora de Agronomia da Ulbra Palmas explica impactos do fenômeno na próxima safra

No campo, algumas decisões dependem de algo que o produtor não controla: o clima. E, para a próxima safra, essa variável merece atenção redobrada. O El Niño já está presente no Oceano Pacífico Equatorial e deve persistir até o verão de 2026/2027, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). No Tocantins, o fenômeno pode favorecer a redução das chuvas, temperaturas mais elevadas e maior propensão às queimadas, criando um cenário que exige planejamento por parte dos produtores.

O fenômeno ocorre quando há um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere nos padrões de circulação atmosférica, no transporte de umidade e nos regimes de temperatura e precipitação em diferentes regiões do mundo.

De acordo com a professora doutora do curso de Agronomia da Ulbra Palmas, Barbara Esteves, no Tocantins a redução das chuvas pode refletir diretamente na produtividade agrícola. “Com a redução das chuvas, há também uma tendência de aumento das temperaturas, que já são naturalmente mais elevadas nesse período na região. Outro ponto de atenção é o aumento da propensão às queimadas”, explica.

Menos chuva, mais atenção no campo

A combinação entre temperaturas elevadas e menor volume de chuvas pode afetar diferentes atividades agrícolas. Soja, milho e pastagens estão entre as culturas que podem enfrentar riscos relacionados à disponibilidade de água e às condições climáticas.

Segundo Barbara, entre os possíveis impactos estão quebra de produtividade, atraso ou falha na germinação e estresse hídrico em fases importantes do desenvolvimento das plantas, como o florescimento e o enchimento de grãos. O aumento da ocorrência de queimadas também representa um fator de preocupação para o setor. “O mundo agrícola, de maneira geral, pode sofrer efeitos pela redução da disponibilidade hídrica e pelo espalhamento das queimadas”, afirma.

Planejamento pode ajudar a reduzir impactos

Diante de um cenário de maior atenção climática, o planejamento passa a ser uma ferramenta importante para o produtor. Em pequenas áreas, a professora destaca a irrigação e o manejo da cobertura do solo como estratégias para preservar a umidade próxima às raízes. “A cobertura do solo auxilia na redução da evaporação da água, mantendo a região próxima às raízes mais úmida”, explica.

Nas grandes áreas, uma das recomendações é ter cautela no momento da semeadura. A decisão deve considerar as condições climáticas para reduzir o risco de necessidade de replantio.

Entre outras alternativas estão a utilização de cultivares mais tolerantes à seca, o acompanhamento de boletins agrometeorológicos para ajustar a época de semeadura, a contratação de seguro agrícola e o manejo adequado do solo para favorecer a retenção de umidade.

Para Barbara, essas decisões devem fazer parte de um planejamento acompanhado por profissionais qualificados e considerar as características de cada propriedade. “É preciso cautela nesse momento e acompanhamento dos dados meteorológicos, com instituições como o INMET, que emite boletins mensais.”

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