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“Ladrão não pode chamar gente honesta de ladrão”, diz Lula ao desafiar Flávio Bolsonaro a abrir sigilos

Antes de caminhada em Porto Alegre, presidente apresenta documentos que entregará ao STF e TSE para acesso aos sigilos bancário e telefônico dele e de seus cinco filhos e cobrou que adversário faça o mesmo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira, 19, que entregará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário e telefônico e dos mesmos dados de seus cinco filhos. 

Antes de participar de caminhada em Porto Alegre, Lula desafiou o senador Flávio Bolsonaro a adotar a mesma medida, incluindo as informações de suas empresas e de seus familiares, e defendeu que a Justiça investigue os dois lados para esclarecer a origem dos patrimônios e permitir que a população saiba quem tem condições de responder às suspeitas de corrupção.

A iniciativa, segundo Lula, é uma resposta a acusações que, em sua avaliação, tentam atingir sua trajetória pública. “Porque é preciso, de uma vez por todas, acabar neste país com a história de ladrão ficar chamando gente honesta de ladrão”, disse. 

Biografia

O presidente afirmou que não aceitará que sua biografia seja colocada em dúvida por adversários e vinculou o desafio à defesa de sua honra, de sua família e do país. “Todo mundo sabe a vida pregressa dele, todo mundo conhece a minha biografia, todo mundo sabe a história de cada um”, afirmou Lula. 

Em seguida, criticou o que classificou como tentativa de transformar as acusações em instrumento de disputa política. “Eu não posso permitir que um miliciano fique atrás de mim no debate com um escrito na mão ‘corrupto’, porque corrupta é a família dele, é ele”, declarou.

O presidente cobrou que Flávio Bolsonaro apresente os próprios dados para análise das autoridades. “A única coisa que estou pedindo é que ele tenha coragem de provar que é honesto, e faça como estou fazendo. Eu quero que a Justiça investigue e depois divulgue para o povo brasileiro saber quem é ladrão ou quem não é ladrão neste país”, afirmou.

Transparência

Ao justificar o desafio, Lula comparou sua trajetória pessoal e patrimonial à do senador, questionando como alguém que ocupa um cargo público remunerado pode adquirir um imóvel de R$ 10 milhões sem explicar a origem dos recursos.

“Eu não posso admitir, eu sou presidente da República três vezes, moro num apartamento de 190 m², comprado em 1998, que um cidadão, que é senador da República, que ganhou o mesmo salário que o presidente, possa comprar uma casa de R$ 10 milhões à vista, sem explicar de onde veio o dinheiro”.

A comparação foi apresentada por Lula como argumento para defender que a origem dos recursos e a evolução patrimonial dos candidatos sejam submetidas ao escrutínio público. O presidente sustentou que os eleitores precisam ter condições de avaliar a trajetória de quem disputa o comando do país, para além das acusações trocadas durante a campanha.

“Está na hora de a sociedade brasileira, ao ir votar, saber em quem ela está votando. Não é jogo de loteria, não é jogo de bet, é um jogo de defender os interesses soberanos do nosso país. Este país não pode ter um miliciano na Presidência da República”, enfatizou. 

Lula também apresentou o gesto como decisão pessoal de não permanecer em silêncio diante dos ataques à sua trajetória. Ao dizer que esta será sua última disputa eleitoral, o presidente afirmou que pretende defender publicamente sua história e impedir que acusações sejam tratadas como verdades sem apuração.

“Essa é a minha última disputa eleitoral e não posso deixar que um ladrão tente jogar minha biografia no lixo”, afirmou. “Então, isso aqui é em defesa da minha honra, da honra da minha família e, sobretudo, em defesa deste país, que não pode ter um ladrão governando”, concluiu.

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