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Aprosoja Tocantins acompanha início da safra e destaca força da soja no cotidiano

Principal cultura agrícola do estado, começa novo ciclo no campo e reforça uma cadeia produtiva presente diariamente na alimentação, na indústria e na economia

O plantio da soja para a safra 2026/27 começou oficialmente no Tocantins em 1º de outubro, após o encerramento do vazio sanitário da cultura. Com a abertura da janela de semeadura, produtores iniciam uma nova etapa do calendário agrícola, ainda atentos à regularidade das chuvas e às condições de umidade do solo para avançar com os trabalhos.

Principal cultura agrícola do Tocantins, a soja é também parte de uma cadeia que chega diariamente à vida da população. Está presente na produção de óleo, farelo, rações utilizadas na alimentação animal, biocombustíveis e em diferentes processos da indústria. Antes de chegar a esses destinos, porém, tudo começa no campo, com planejamento, investimento e trabalho do produtor rural.

No Tocantins, o grão ocupa cerca de 1,6 milhão de hectares, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e segue como carro-chefe da agricultura estadual. Além da produção nas propriedades, a atividade movimenta segmentos como comércio de insumos, prestação de serviços, armazenagem, transporte, indústria e comercialização.

Neste início de safra, a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Tocantins (Aprosoja Tocantins) acompanha o andamento da semeadura nas diferentes regiões produtoras e as condições enfrentadas pelos associados.

Segundo o vice-presidente da Aprosoja Tocantins, Thiago Facco, apesar da abertura da janela oficial, o plantio ainda ocorre de forma pontual. “Em algumas microrregiões, principalmente no Vale do Araguaia e em pontos específicos do estado, tivemos chuvas com volumes significativos que permitiram o plantio. Mas, na grande maioria, ele ainda não começou. Apesar da abertura da janela, nosso período considerado ideal começa a partir de 15 de outubro. Os produtores seguem aguardando mais chuvas”, explica.

A janela de plantio da soja em áreas de sequeiro segue até 15 de janeiro de 2027. Neste primeiro momento, a regularidade das precipitações é um dos principais fatores observados pelos produtores antes da entrada das máquinas no campo.

Safra começa com cautela

Além do clima, o produtor inicia a temporada atento a fatores econômicos que interferem diretamente no planejamento da soja. Custos elevados de produção, juros, disponibilidade de crédito e endividamento estão entre as principais preocupações para o novo ciclo.

“A expectativa é de bastante apreensão. Temos uma taxa de juros muito elevada, dificuldade de crédito e um nível de endividamento grande entre os produtores. É uma safra que começa bastante desafiadora”, afirma Facco.

O comportamento climático ao longo dos próximos meses também deverá ser determinante para o resultado das lavouras. Para a Aprosoja Tocantins, ainda é cedo para consolidar uma estimativa de produção, justamente porque grande parte das áreas ainda aguarda condições adequadas para o início da semeadura.

“Hoje, sem dúvida, o clima e os custos de produção são as maiores preocupações. Existe uma incerteza muito grande sobre como o El Niño pode atuar, qual será a intensidade e em quais regiões ou períodos poderá causar impactos”, acrescenta.

Mesmo em um cenário de maior cautela, a expectativa é de que a área cultivada com soja permaneça próxima de 1,6 milhão de hectares no Tocantins. Segundo Facco, a expansão deve ser discreta nesta temporada.

“A área vinha crescendo, mas neste ano devemos ter um pequeno aumento, principalmente em áreas que já estavam planejadas pelos produtores. Os produtores seguraram bastante as novas aberturas”, afirma.

Apesar das incertezas, o vice-presidente reforça que o produtor segue preparado para mais um ciclo. “O produtor é muito resiliente. Mesmo diante de todos esses fatores adversos, seguimos firmes para plantar mais um ano, com a expectativa de conseguir boas colheitas”, conclui Facco.

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