Estado teve aumento de 5,8% nos registros em relação ao ano anterior; docente de Enfermagem reforça a importância da prevenção e da rede de apoio
O Tocantins registrou 164 casos de suicídio em 2025, segundo o Mapa da Segurança Pública 2026, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número representa um aumento de 5,81% em relação a 2024, quando foram contabilizados 155 casos.
A taxa no estado passou de 9,83 para 10,33 mortes por 100 mil habitantes. O resultado ficou acima da média nacional, de 7,75 mortes por 100 mil habitantes. Em todo o país, foram contabilizados 16.533 casos em 2025, o equivalente a uma média de aproximadamente 45 mortes por dia. O total nacional apresentou alta de 0,74% em comparação com o ano anterior.
Para Marco Aurélio de Oliveira Martins, docente de Enfermagem da Unopar Palmas, os números reforçam a importância de manter o debate sobre saúde mental e prevenção durante todo o ano.
“O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, que não pode ser atribuído a uma única causa. A prevenção envolve ampliar o acesso aos serviços de saúde, fortalecer as redes de apoio e criar condições para que as pessoas consigam falar sobre o sofrimento e buscar ajuda”, explica.
Segundo o docente, familiares, amigos e pessoas próximas podem ter um papel importante ao perceber mudanças persistentes de comportamento. Isolamento, desesperança, perda de interesse por atividades habituais, alterações intensas de humor e falas relacionadas à morte ou à falta de perspectiva são alguns sinais que merecem atenção.
“Esses sinais não devem ser utilizados isoladamente para estabelecer um diagnóstico. No entanto, quando alguém demonstra sofrimento, é importante acolher, ouvir sem julgamentos e incentivar a procura por atendimento. Frases que minimizam o que a pessoa está sentindo ou comparações com os problemas de outras pessoas podem dificultar ainda mais o pedido de ajuda”, orienta Marco.
O docente ressalta que o cuidado deve envolver diferentes pontos da rede de saúde, desde a atenção primária até os serviços especializados e de urgência.
“Profissionais de saúde, familiares, amigos, escolas e comunidades podem contribuir para identificar situações de sofrimento e facilitar o acesso ao cuidado. A campanha Setembro Amarelo amplia a conscientização, mas a prevenção precisa acontecer de maneira contínua”, completa.
Onde buscar ajuda?
Pessoas em sofrimento emocional podem procurar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, Unidades de Saúde da Família e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Em situações de urgência ou risco imediato, a orientação é procurar uma UPA 24 horas, pronto-socorro ou hospital, ou acionar o SAMU pelo telefone 192.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.


