O conhecimento sobre os direitos culturais, os mecanismos de financiamento e as políticas públicas de cultura precisa chegar a todos os territórios, não apenas aos grandes centros urbanos. É com essa proposta que o Comitê de Cultura no Tocantins inicia a segunda fase do Comitê de Cultura Itinerante – Circuito de Formações, uma ampla mobilização que prevê a realização de 58 ações, entre atividades formativas e intervenções socioculturais, distribuídas por diferentes regiões do estado.
A iniciativa integra as ações do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), do Ministério da Cultura (MinC), e busca fortalecer a atuação de artistas, produtores culturais, gestores públicos, organizações da sociedade civil, mestres e mestras da cultura popular, povos indígenas, comunidades quilombolas e a sociedade como um todo.
O Circuito pretende enfrentar uma das principais dificuldades vivenciadas por quem produz cultura fora dos grandes centros: a distância entre os territórios e as oportunidades de formação, orientação técnica e acesso aos instrumentos de fomento.
Para isso, a programação será desenvolvida de forma descentralizada, respeitando as particularidades de cada região e valorizando os conhecimentos, as experiências e as demandas das comunidades locais.
O coordenador-geral do Comitê de Cultura no Tocantins, Kaká Nogueira, destaca que a segunda fase representa a continuidade de um trabalho que reconhece a diversidade cultural do estado e a necessidade de democratizar as oportunidades de qualificação. “Não podemos falar em democratização da cultura enquanto o acesso à informação, à formação e aos recursos continuar concentrado em poucos lugares. O Tocantins tem uma produção cultural extraordinária, presente nas comunidades quilombolas, nas aldeias indígenas, nas periferias, nas cidades pequenas e nos grandes centros. Nosso compromisso é fazer com que as políticas públicas alcancem essa diversidade. Com o Circuito de Formações, queremos que os fazedores de cultura tenham cada vez mais autonomia para compreender seus direitos, acessar oportunidades, desenvolver projetos e participar das decisões que impactam seus territórios”, afirma Kaká Nogueira.
Formação para ampliar direitos e oportunidades
A programação da segunda fase está estruturada em três grandes eixos temáticos, que dialogam diretamente com os desafios enfrentados pelos trabalhadores da cultura e pelas administrações públicas municipais, sendo eles de Gestão Pública da Cultura, Direitos Culturais e Participação Social, e Acesso ao Financiamento e ao Fomento.
O ministrante Tales Monteiro, que participa das atividades formativas do Circuito, ressalta a importância de trabalhar os conteúdos de maneira acessível e conectada às experiências dos participantes.
“Muitas vezes, o artista, o gestor de cultura e/ou produtor cultural tem uma excelente ideia, desenvolve um trabalho importante para a comunidade, mas encontra dificuldades quando precisa transformar essa experiência em um projeto ou compreender os caminhos para acessar uma política pública. A formação tem justamente esse papel de aproximar o conhecimento técnico da realidade de quem faz cultura. Queremos que as pessoas saiam desses encontros não apenas com novas informações, mas com mais segurança para colocar suas ideias em prática e ocupar os espaços que são seus por direito”, destaca Tales Monteiro.
Uma rede de formação que percorre o Tocantins
A estratégia de descentralização é um dos principais diferenciais do Circuito de Formações. Em vez de concentrar a programação na capital, o Comitê organiza suas atividades por meio de uma rede de instituições parceiras com atuação territorial em diferentes regiões.
A Federação Tocantinense de Artes Cênicas (FETAC) é responsável pela articulação em Palmas e na região central do estado. Na região sul, a atuação acontece por meio da Associação Gurupiense de Artesãos (AGA), com referência em Gurupi. Já o Instituto Social e Cultural Araguaia (ISCA) desenvolve o trabalho de articulação em Araguaína e na região norte.
Para Kaká Nogueira, essa articulação em rede é fundamental para que as ações formativas produzam resultados que ultrapassem o período de realização das oficinas.
“Uma oficina não pode ser um acontecimento isolado. Ela precisa gerar conexões, despertar possibilidades e deixar conhecimentos que continuem circulando na comunidade. Quando aproximamos gestores, artistas, produtores, mestres da cultura popular e lideranças comunitárias, também estamos fortalecendo a capacidade de organização dos territórios. Queremos contribuir para que cada município tenha agentes culturais mais preparados, participativos e capazes de reivindicar e construir políticas públicas permanentes”, acrescenta o coordenador-geral.
Sobre o Comitê de Cultura no Tocantins
O Comitê de Cultura no Tocantins integra o Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), iniciativa do Ministério da Cultura voltada à ampliação do acesso às políticas públicas de cultura, ao fortalecimento da participação social e à valorização da diversidade cultural brasileira.
No estado, a iniciativa é coordenada pela Federação Tocantinense de Artes Cênicas (FETAC), em parceria com a Associação Gurupiense de Artesãos (AGA) e o Instituto Social e Cultural Araguaia (ISCA).
A atuação contempla ações de formação, mobilização social, comunicação, articulação territorial e orientação aos agentes culturais, contribuindo para aproximar as políticas públicas federais das diferentes realidades do Tocantins.
Realização: Programa Nacional dos Comitês de Cultura – Ministério da Cultura.
Coordenação estadual: FETAC, em parceria com AGA e ISCA. (Por Cinthia Abreu)



