Mutirão reúne agentes de combate às endemias para orientar moradores, identificar possíveis criadouros e fortalecer as ações de prevenção ao mosquito
O combate à dengue começa com a atenção aos pequenos detalhes e também com a maneira de orientar a população. Com uma abordagem acolhedora e didática, a agente de combate às endemias (ACE) Luiza Débora Oliveira do Vale percorreu residências do Jardim Aureny III, em Palmas, nesta quarta-feira, 4, durante um mutirão promovido pela Secretaria Municipal da Saúde (Semus). Entre conversas com moradores e vistorias nos quintais, a profissional, que atua há dois anos na função, demonstrou como a escuta e o diálogo podem contribuir para a conscientização sobre os cuidados necessários para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
A ação reuniu diversos agentes de combate às endemias para intensificar as visitas domiciliares, orientar a população sobre a eliminação de possíveis criadouros e realizar a coleta das ovitrampas, armadilhas utilizadas para monitorar a presença do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika. Os dispositivos permitem identificar áreas com maior atividade de reprodução do vetor, fornecendo informações que auxiliam no planejamento e no direcionamento das estratégias de controle.
Para a agente Luiza Débora, o trabalho de prevenção também passa pela construção de uma relação de confiança com os moradores. Durante as visitas, ela procura apresentar as orientações de maneira simples, respeitando as particularidades de cada residência e esclarecendo dúvidas sobre situações que podem favorecer a reprodução do mosquito. O cuidado é especialmente importante no atendimento à população idosa, que acompanhou atentamente as explicações durante a ação.
A analista em saúde e bióloga Maria Kassia Carneiro de Freitas, que acompanhava a ação, explica que os mutirões permitem concentrar o trabalho das equipes em localidades identificadas pelo monitoramento entomológico como prioritárias para as ações de prevenção e controle. Segundo ela, as ovitrampas desempenham um papel importante nesse processo, pois permitem acompanhar a atividade do mosquito e identificar os locais que necessitam de maior atenção.
“As ovitrampas são armadilhas que atraem as fêmeas do mosquito para a postura dos ovos. A partir da coleta e análise desse material, conseguimos acompanhar a presença do vetor e identificar áreas que precisam de uma atuação mais intensiva. Essas informações ajudam a direcionar o trabalho dos agentes e tornam as ações de prevenção mais estratégicas”, explica a bióloga.
Prevenção que começa em casa
A aposentada Roseida Martins Pinto, de 70 anos, conhece de perto as consequências das doenças transmitidas pelo mosquito. Há aproximadamente dois anos, ela contraiu chikungunya e enfrentou sequelas que persistiram por um período após a infecção. Durante o tratamento, recebeu acompanhamento dos profissionais médicos e de enfermagem da Unidade de Saúde da Família (USF) de referência, experiência que recorda com gratidão.
Desde então, os cuidados com a residência fazem parte de sua rotina. Atenta às orientações dos agentes de endemias, a aposentada mantém atenção especial aos recipientes que podem acumular água, à troca da água dos bebedouros e à manutenção das plantas. “Depois que tive chikungunya, passei a ter ainda mais cuidado. Fui muito bem atendida na unidade de saúde e sempre escuto as orientações dos agentes, porque a gente aprende a cuidar melhor da casa e evitar que outras pessoas passem por isso”, relata.
A preocupação também faz parte do cotidiano da dona de casa Yonara Andrade Lima Pinheiro, de 43 anos. Além de cuidar da própria residência, ela acompanha as condições de limpeza das kitnets que possui, reforçando os cuidados com os espaços utilizados pelos inquilinos. A atenção é tanta que ultrapassa os limites de seus imóveis.
“Sempre que vejo alguma coisa que pode juntar água, vou lá e recolho. Pode ser um copinho, uma latinha, até na rua eu faço isso. Já retirei os entulhos e procuro manter tudo limpo, porque ninguém quer dengue”, conta, em tom descontraído.
A ACE Luiza Débora complementou que o trabalho das equipes de combate às endemias, aliado à participação da comunidade, contribui para a identificação antecipada de situações de risco e para a redução de possíveis criadouros do mosquito.



