Mostra do fotodocumentarista Emerson Silva chega a Gurupi no dia 22 de outubro, com imagens em preto e branco que revelam a riqueza da cosmovisão e das tradições do povo indígena Krahô.
Depois de percorrer diferentes estados brasileiros pelo circuito do Sesc Amazônia das Artes, a exposição fotográfica Tep Me Têêre Jöh Amjikin – Festa do Peixe e da Lontra, do artista e fotodocumentarista Emerson Silva, retorna ao Tocantins. A mostra será inaugurada no dia 22 de outubro, às 19h, na Galeria Sesc de Arte, no Centro de Atividades do Sesc Gurupi, no Park Filó Moreira. A abertura contará com um bate-papo com o artista, proporcionando ao público a oportunidade de conhecer mais sobre o processo de criação do trabalho e sua experiência de aproximação com a cultura Krahô.
A circulação nacional pelo projeto Sesc Amazônia das Artes ampliou o alcance da exposição e levou a diferentes públicos registros de uma das manifestações culturais mais significativas dos povos originários do Tocantins. Em 2025, a mostra integrou a programação do projeto em cidades como São Luís (MA), Teresina (PI) e Belém (PA), promovendo o intercâmbio cultural e a valorização da produção artística da região amazônica.
A volta ao estado onde o trabalho foi concebido representa também o reencontro da exposição com o território, as histórias e as referências culturais que deram origem ao projeto. Apresentada originalmente em 2022, a mostra reúne fotografias digitais capturadas em 2018, na aldeia Manoel Alves Pequeno, durante a realização da Festa do Peixe e da Lontra. Na versão preparada para o circuito do Sesc Amazônia das Artes, o conjunto é composto por 20 imagens em preto e branco.
Fotografia, memória e cosmovisão Krahô
Mais do que documentar uma celebração, Festa do Peixe e da Lontra convida o público a conhecer uma visão de mundo na qual seres humanos, animais e natureza estão profundamente conectados. A narrativa da festa parte do mito de um indígena que, após ser devorado por uma sucuri, tem seus restos mortais reunidos e sua vida restaurada pelos animais aquáticos. Ao retornar ao convívio de seu povo, ele compartilha o conhecimento que dá origem à tradição, mantida viva nas aldeias Krahô.
Por meio de imagens que valorizam gestos, personagens, rituais e momentos da celebração, Emerson Silva constrói uma narrativa visual sobre ancestralidade, memória e continuidade cultural. O preto e branco reforça a dimensão documental do trabalho e convida o visitante a observar os detalhes da manifestação e as relações que constituem a vida coletiva desse povo indígena.
A exposição integra uma pesquisa documental mais ampla sobre a cultura Krahô, desenvolvida por Emerson Silva em diferentes linguagens, entre elas a fotografia e o audiovisual. O projeto contribui para ampliar a visibilidade das narrativas indígenas a partir do registro de suas próprias tradições, reconhecendo a importância dos conhecimentos ancestrais para a diversidade cultural brasileira.
Um olhar dedicado às culturas tradicionais
Natural de São Paulo (SP) e radicado em Palmas (TO) desde 1995, Emerson Silva atua há mais de duas décadas como artista, repórter fotográfico e fotodocumentarista. Sua trajetória é marcada pelo registro e pela valorização das manifestações culturais, dos patrimônios materiais e imateriais e dos modos de vida de comunidades tradicionais, especialmente povos indígenas e quilombolas.
Entre 2000 e 2019, trabalhou na Fundação Cultural do Tocantins, período em que aprofundou sua atuação junto às expressões culturais do estado. É membro da Associação de Arte Ninho Cultural, em Palmas, e possui trabalhos reconhecidos em premiações nacionais e exposições internacionais, com destaque para sua participação na mostra coletiva Women That Make a Difference, realizada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça.
A chegada da exposição a Gurupi reafirma a importância da fotografia documental como instrumento de preservação da memória e de aproximação entre diferentes culturas. Ao retornar ao Tocantins depois de circular por outros estados, o trabalho amplia o diálogo com o público local e renova o convite à valorização dos povos originários e de seus patrimônios culturais vivos.




