Acadêmicos exploram pigmentos naturais e propriedades químicas das plantas
O que capim-santo, hibisco e flores azuis têm em comum? Além de suas características naturais, essas plantas se tornaram ingredientes de uma experiência que mistura ciência, criatividade e gastronomia na Ulbra Palmas. Acadêmicos do curso de Farmácia estão desenvolvendo brigadeiros coloridos naturalmente como parte das atividades de Estágio Supervisionado em Farmácia, durante este semestre.
A proposta, conduzida pela professora doutora Conceição Aparecida Previero, utiliza plantas alimentícias não convencionais (PANC) para explorar os compostos vegetais e compreender como eles influenciam as características dos alimentos. O resultado são preparações que chamam a atenção pelas cores e revelam, em cada receita, conceitos científicos aplicados à prática.
Entre os sabores desenvolvidos estão o brigadeiro verde de capim-santo (Cymbopogon citratus), o rosa de vinagreira (Hibiscus sabdariffa), também conhecida como hibisco, e as versões azuladas ou lilás feitas com flores de clitória (Clitoria ternatea), conhecidas pela intensidade de sua coloração.
Mais do que produzir doces diferentes, a atividade convida os estudantes a investigar o que acontece por trás de cada tonalidade, desde a extração dos compostos naturais até os efeitos das condições de preparo sobre o produto final.
Para a professora Conceição Aparecida Previero, a experiência aproxima o conhecimento acadêmico de situações práticas e estimula a investigação científica. “A atividade representa uma oportunidade de aplicar conhecimentos científicos em uma situação prática, incentivando a observação, a experimentação e a busca por novas possibilidades de utilização dos recursos vegetais”, destaca.
O que a ciência revela em cada brigadeiro?
Cada preparação ficou sob a responsabilidade de um acadêmico. Poliana Borges dos Santos desenvolveu o brigadeiro de capim-santo; Pedro Augusto Saraiva Diniz ficou responsável pela receita com vinagreira; e Fernanda Marinho dos Santos preparou a versão com flores de clitória.
Durante o processo, os estudantes exploraram técnicas de extração de compostos vegetais e observaram as particularidades de cada ingrediente. No capim-santo, o foco esteve nos compostos aromáticos característicos da planta e na obtenção da coloração verde.
Na preparação com vinagreira, os acadêmicos investigaram as antocianinas, pigmentos naturais responsáveis por tonalidades avermelhadas e cuja coloração pode variar conforme a acidez do meio. Já as flores de clitória permitiram observar mudanças de tonalidade que podem resultar em cores azuis, violetas e rosadas, dependendo das condições químicas da preparação.
A experiência também envolveu a padronização das porções e a comparação entre as receitas. Ao final, os brigadeiros foram avaliados considerando características como cor, textura, aroma e sabor, permitindo relacionar os resultados sensoriais aos ingredientes e às técnicas utilizadas.



