Candidata anunciou 50% dos cargos de liderança para mulheres, relatou desrespeito na campanha e abordou o caso de violência doméstica envolvendo o adversário após confirmação da autenticidade do laudo
“A paridade vai começar comigo no governo. 50% dos cargos de liderança serão de mulheres”. A candidata ao Governo do Tocantins Professora Dorinha (União Brasil) anunciou, neste sábado, 24, durante entrevista coletiva no Comitê 44, o compromisso de garantir participação igualitária de homens e mulheres no alto escalão da gestão estadual. Ao defender a presença feminina nos espaços de decisão, também denunciou o desrespeito e as tentativas de intimidação que afirmou ter enfrentado durante toda a campanha.
Dorinha apresentou a paridade como uma decisão que pretende colocar em prática no próprio governo, ampliando o espaço das mulheres na definição das políticas públicas. “Temos competência, preparo e condição de ocupar os nossos espaços”, declarou. Para a candidata, a possibilidade de se tornar governadora precisa abrir oportunidades para outras mulheres. “Não é só ser a primeira. É fazer história e ser a primeira. Mas é abrir o caminho para as outras mulheres”.
Violência política de gênero
Ao falar sobre igualdade e respeito, Dorinha relatou ataques à sua aparência, à idade e à maneira de se expressar ao longo da disputa. “Eu fui muito desrespeitada nessa campanha”, afirmou. A candidata criticou a diferença de tratamento entre homens e mulheres na política: enquanto a postura firme de um homem é vista como autoridade, a mulher é chamada de agressiva quando se posiciona. “Desrespeito à mulher nunca é natural”, disse.
A candidata também denunciou interrupções e tentativas de constrangimento nos debates, além de referências a supostos dossiês e materiais que, segundo ela, foram usados para intimidá-la. “Não tem ameaça, não tem pendrive, não tem nada que faça a Professora Dorinha calar”, declarou. Ao cobrar que o debate fosse dirigido à sua trajetória e às suas propostas, afirmou: “Me respeite. Trate comigo. Eu sou a candidata”.
Laudo de violência doméstica verdadeiro
Questionada sobre o caso envolvendo o adversário e a ex-esposa, após a confirmação da autenticidade do laudo de violência doméstica, Dorinha afirmou que a gravidade do assunto não pode ser relativizada em razão da disputa eleitoral. “A questão de violência não é uma questão particular, privada”, declarou.
A candidata disse que não havia levado o tema ao debate e rejeitou tratá-lo como uma discussão meramente eleitoral. “Isso não é normal. Isso não é só uma questão eleitoral”, afirmou, ao cobrar que situações de violência contra mulheres sejam enfrentadas independentemente de quem esteja envolvido.
Ações de proteção
Dorinha defendeu que a atuação do Estado alcance a violência física, psicológica e política, com proteção e condições para que as vítimas reconstruam a vida. Entre os compromissos apresentados estão aluguel social, a Casa da Mulher Tocantinense, fortalecimento das delegacias especializadas e da Patrulha Maria da Penha, além de apoio ao empreendedorismo feminino.
“Nós somos capazes. Nós queremos tratar de economia. Nós nos preocupamos com as cidades”, afirmou, ao defender que as políticas para mulheres também contemplem formação, emprego, renda e poder de decisão. “O Estado tem que proteger, o Estado tem que respeitar. Nós não queremos favores, nós temos direito à vida”, concluiu.



