As divergências entre Wanderlei e Eli revelam a tensão no Republicanos e podem redesenhar o cenário político no Tocantins no segundo turno
A política tocantinense, sempre marcada por alianças voláteis e disputas de bastidores, vive um novo capítulo de tensão. O rompimento entre o pastor Eli Borges e o governador Wanderlei Barbosa não é apenas um episódio pessoal — é o retrato de um partido que tenta equilibrar poder, fé e pragmatismo político em meio à corrida pelo governo do Estado.
O estopim da crise
Eli Borges, que obteve mais de 271 mil votos na disputa pelo Senado, decidiu abandonar o grupo palaciano e declarar apoio ao deputado federal Vicentinho Jr. A decisão veio acompanhada de críticas duras ao governador, a quem acusou de falta de acolhimento e demora no repasse de recursos do fundo partidário. Borges, visivelmente irritado, afirmou que esperava “respeito à votação” e “defesa do partido” por parte de Barbosa — algo que, segundo ele, nunca veio.
A resposta do governador
Wanderlei Barbosa reagiu com firmeza. Em vídeo, destacou que o Republicanos foi leal, repassou mais de R$ 3 milhões para a campanha de Borges e ofereceu tempo de televisão e apoio institucional. O tom foi de ruptura definitiva: “Quem não estiver satisfeito, o Republicanos e o grupo palaciano não os aceitará em suas fileiras”. A fala, embora calculada, revelou o desconforto do governador com o gesto de Borges — um aliado que, até pouco tempo, era considerado parte do núcleo duro da base governista.
O contra-ataque de Eli Borges
Borges respondeu na mesma moeda. Em vídeo, acusou Barbosa de ter subestimado sua candidatura e de não acreditar em sua vitória. Relatou episódios de desprestígio, como discursos relegados ao final de comícios e ausência em reuniões pós-eleição. “Deveria ter me defendido, protegido o partido”, disse. A fala foi mais que um desabafo — foi uma tentativa de reconstruir sua imagem política e justificar o apoio a Vicentinho Jr. como um “recomeço”. Borges reforçou sua identidade ideológica: “Eu sou Flávio Bolsonaro 22, eu sou direita e não abro mão disso”.
O impacto político
O embate público entre Barbosa e Borges expõe uma rachadura no Republicanos e fragiliza o discurso de unidade que o governador tenta sustentar. A saída de Borges, somada à adesão de outras lideranças ao projeto de Vicentinho Jr., sinaliza um rearranjo de forças que pode alterar o equilíbrio político no segundo turno. Mais do que uma disputa de egos, o episódio revela o desafio de conciliar interesses partidários e pessoais em um cenário onde o pragmatismo eleitoral fala mais alto que a fidelidade ideológica.
O recomeço e o futuro
Para Eli Borges, o apoio a Vicentinho Jr. é uma aposta arriscada, mas calculada — uma tentativa de se reposicionar como voz independente e preservar seu capital político junto ao eleitorado evangélico. Para Wanderlei Barbosa, o desafio é conter o desgaste e reafirmar liderança sobre um partido que começa a mostrar sinais de fragmentação.




