Após encontro com o artista Wanderley Batista na CASACOR Tocantins, projeto promove neste sábado, 12, duas oficinas gratuitas de Modelagem Manual em Argila para crianças, jovens e adultos; inscrições já estão abertas e vagas são limitadas
O barro ganhou voz, movimento e histórias na tarde dessa terça-feira, 8 de setembro, durante o Talk com o Artista da exposição “Dança do Pote”, realizado no AMA – Orquidário de Palmas, dentro da programação da CASACOR Tocantins. O encontro reuniu público, arte e memória em uma conversa com o ceramista e artista visual Wanderley Batista, que compartilhou detalhes de seu processo criativo, as referências da cultura popular tocantinense e as conexões entre cerâmica, dança, música e ancestralidade presentes nas obras da exposição.
Durante o Talk, Wanderley Batista conduziu o público por uma espécie de viagem ao interior da criação de “Dança do Pote”. Mais do que apresentar técnicas utilizadas na produção das peças, o artista falou sobre as memórias, movimentos e manifestações culturais que inspiraram o trabalho. A exposição nasce especialmente da observação da Suça, manifestação tradicional presente na cultura tocantinense. Os giros dos corpos, a cadência dos passos, o ritmo, os movimentos circulares e a relação coletiva da dança encontram correspondência, no trabalho de Wanderley, nos gestos realizados por quem transforma a argila.
Para o artista, compartilhar esse processo diretamente com o público fortalece a dimensão de troca que está na essência do projeto. “Quando a pessoa olha uma peça pronta, ela vê o resultado, mas existe toda uma história antes daquela forma chegar ali. Existe a terra, existe o movimento das mãos, existe a música, a dança, a memória de quem veio antes de nós. No Talk, tivemos a oportunidade de mostrar que a cerâmica não está isolada: ela conversa com a Suça, com os nossos territórios e com a forma como construímos nossa identidade”, destaca Wanderley Batista.
Segundo Wanderley, o contato direto com o público também permite que a exposição seja percebida para além da dimensão estética. “A proposta da Dança do Pote é justamente provocar esse olhar. O barro é matéria, mas também é memória. Quando moldamos a argila, podemos contar histórias. Quando associamos isso ao movimento da dança, mostramos que a cultura está viva e pode continuar sendo recriada sem perder suas raízes”, acrescenta.
Público entra na conversa
O formato do Talk favoreceu uma relação mais próxima entre artista e visitantes. Perguntas sobre técnicas de modelagem, referências culturais, criação das peças e a própria relação entre o barro e a dança fizeram parte do encontro. A proposta é que o espectador não seja apenas alguém que observa as obras, mas participe da construção de sentidos em torno delas.
Para uma das participantes do Talk, compreender o processo de criação modificou a forma de olhar para as peças expostas. “A gente chega e primeiro se encanta com a beleza das peças. Depois de ouvir o Wanderley, começa a perceber os movimentos, as histórias e as referências que estão presentes em cada trabalho. É como se a exposição ganhasse uma nova dimensão. A gente passa a olhar para o barro e enxergar também dança, memória e pertencimento”, comentou uma participante do encontro.
Oficinas
Depois da experiência de aproximação entre artista e público, o projeto segue agora para uma nova etapa de vivência prática. Já estão abertas as inscrições para as Oficinas de Modelagem Manual em Argila, que serão realizadas neste sábado, 12 de setembro, também no AMA – Orquidário de Palmas, no Ambiente Parquinho da Zezinho Toys – CASACOR Tocantins.
Serão oferecidas 40 vagas, distribuídas em duas turmas. A primeira acontece das 16 às 17 horas, destinada a crianças de 5 a 12 anos, com 20 vagas. A segunda será das 17 às 18 horas, para pessoas a partir de 12 anos e adultos, também com 20 vagas.
A participação acontece mediante inscrição social de 1 kg de alimento não perecível, que deverá ser entregue no dia da oficina. As inscrições são feitas por meio de formulário disponível na bio do Instagram do projeto, @dancadopote, e as vagas são limitadas.
A atividade também amplia uma das características fundamentais do projeto: transformar a circulação da exposição em uma experiência de formação, troca e compartilhamento de conhecimentos. Para a produtora cultural Daniella Aires, o Talk e as oficinas ajudam a romper a distância que muitas vezes existe entre público e obra de arte. “Desde o início, pensamos a Dança do Pote não apenas como uma exposição para ser contemplada, mas como uma experiência de encontro. Queremos que as pessoas possam olhar as peças, conversar com o artista, compreender as referências e também ter a oportunidade de colocar a mão na argila. Essa troca é essencial porque aproxima a arte da vida cotidiana e mostra que os nossos saberes culturais podem ser compartilhados entre diferentes gerações”, afirma Daniella Aires.
Ela ressalta ainda a presença de uma turma especialmente dedicada às crianças como um elemento importante da ação. “Ter uma oficina para crianças e outra para jovens e adultos é também uma maneira de promover esse diálogo entre gerações. Uma criança que experimenta o barro pode descobrir ali uma nova forma de criar, mas também pode começar a compreender a importância da cerâmica e das tradições que fazem parte do nosso território. É uma experiência artística, educativa e afetiva”, acrescenta Daniella.
Dança do Pote

Realizada pelo Ponto de Cultura Pote de Ouro Arts, com produção cultural de Daniella Aires, a exposição “Dança do Pote” reúne obras do ceramista, artesão e músico Wanderley Batista que investigam as relações entre o fazer cerâmico e os movimentos presentes na cultura popular tocantinense.
A proposta estabelece um diálogo particular com a Suça, encontrando semelhanças entre o giro do corpo, a repetição e o ritmo da dança e os movimentos realizados pelas mãos do ceramista durante a transformação da argila.
Na exposição, essas referências aparecem em curvas, formas e volumes que sugerem corpos em movimento, criando uma espécie de coreografia em cerâmica. Instalada no ambiente “Caminho dos Quilombos”, na CASACOR Tocantins, a mostra promove ainda um encontro entre cultura popular, ancestralidade, arquitetura, design e arte contemporânea.
“Dança do Pote” foi aprovado no Promic 2025 – Programa Municipal de Incentivo à Cultura, da Fundação Cultural de Palmas, com recursos do Fundo Municipal de Apoio à Cultura. Após as ações em Palmas, o projeto também prevê circulação por outros territórios, incluindo Vila de São Jorge, em Alto Paraíso de Goiás, e Natividade, no Tocantins, ampliando os encontros entre cerâmica, cultura, memória e comunidades.


