Doença causada por protozoário é transmitida pela picada de mosquito
A leishmaniose ainda é uma preocupação para saúde pública no Brasil. Trata-se de uma enfermidade infecciosa transmitida por meio do inseto, popularmente conhecido como mosquito-palha que, ao picar um animal infectado, normalmente cães, transmite para as pessoas o protozoário Leishmania chagasi. Este período do ano, denominado “Agosto Verde”, instituído desde 2012, é dedicado à conscientização sobre a doença.
Kalliny Arouca, residente em infectologia do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil) pontua características da doença. “As duas principais formas de leishmaniose no Brasil são a tegumentar, que afeta principalmente a pele e, em alguns casos, as mucosas. E, a leishmaniose visceral, uma forma sistêmica que pode comprometer órgãos como fígado, baço, medula óssea e pode ser grave”.
A infecção pelo protozoário causador da leishmaniose está diretamente ligada às vulnerabilidades que algumas populações estão submetidas, por isso está no grupo de ‘doenças socialmente determinadas’. Pessoas de baixa renda que residem em moradias precárias, com pouco ou nenhum acesso a saneamento básico as mais impactadas. Os principais sintomas que servem de alerta para população são: feridas na pele que não saram, febre prolongada, inchaço da barriga por conta do aumento do fígado e do baço, além de perda de peso.
Para o diagnóstico, a médica destaca que depende da forma da doença combinando avaliação clínica com exames laboratoriais. Já o tratamento é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “O tratamento vai depender de acordo com a forma da doença, as características do paciente e presença de outras condições. É um desafio pelo fato de alguns tratamentos serem prolongados, podem exigir aplicações e acompanhamento médico e causar efeitos adversos. Por isso, é fundamental que o paciente não interrompa por conta própria e o mantenha até a conclusão”, orienta Kalliny.
Prevenir a leishmaniose exige uma séria de ações individuais e coletivas para redução do contato com o mosquito-palha. Medidas como uso de repelente e roupas que protejam braços e pernas, telas e mosquiteiros, especialmente em áreas de transmissão, manter limpos os ambientes externos da residência e evitar o acúmulo de matéria orgânica. “É importante que as pessoas sigam as orientações da vigilância sanitária em relação aos cães nas áreas de transmissão de leishmaniose visceral e procurem atendimento diante de feridas que não cicatrizam ou febre prolongada sem causa definida”.


