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InícioArtigo de OpiniãoEleições 2026 - Vices & Suplentes

Eleições 2026 – Vices & Suplentes

É verdade que a cada pleito eleitoral notamos um amadurecimento do eleitor na escolha dos nossos representantes. Uma participação mais efetiva e um avanço democrático que a tecnologia e o alcance das redes sociais têm facilitado. Conhecer melhor os candidatos e escolher com liberdade.

Evoluímos bastante no processo de votação em solo brasileiro. Da eleição do 1º Conselho Municipal na colônia portuguesa de São Vicente (1532), passando pela Lei dos Círculos (1885) até chegar ao voto direto. Progredimos também do voto de “cabresto” ao voto livre, porém esse “cabresto” que antes era guiado pelos antigos coronéis, ainda nos assombra, e as rédeas agora são os benefícios pessoais oferecidos ao povo. Benesses que vão de Bolsas “legalizadas”, passando pelos contratos dos famosos “líderes” e se afunilando nos costumeiros pagamentos da “Boca de Urna”.

As campanhas eleitorais ainda são projetadas e delineadas com base nas Planilhas Financeiras e não esboçadas por bons Planos de Gestão, como deveriam ser.

Mas esse assunto fica para uma outra análise.

Hoje quero trazer uma reflexão aos eleitores sobre a importância não só de escolher um(a) bom(a) representante, mas também de observar quem está na linha direta de sucessão dos candidatos a Governador e Senadores, ou seja, seus vices e suplentes. A Constituição Brasileira assegura que são legítimas essas substituições, temporárias ou definitivas. Assim, não adianta reclamar depois de eleitos.

Basta voltar um pouco no tempo e lembrar o que isso já significou na prática, no Brasil e no Tocantins.  

No Brasil, o vice Café Filho assumiu a presidência após o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. José Sarney se tornou Presidente da República após a morte do presidente eleito Tancredo Neves, em 1985. Itamar Franco também assumiu após a renúncia de Fernando Collor, em 1992. E por último, Michel Temer assumiu o cargo em 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff.

No Tocantins, o vice Raimundo Boi assumiu o governo em 1998 após renúncia do governador eleito Siqueira Campos para disputar a reeleição. Ainda no âmbito do executivo, Wanderlei Barbosa assumiu em 2021, devido ao afastamento do então governador Mauro Carlesse. O atual vice-governador Laurez Moreira chegou a assumir o comando do Palácio Araguaia no ano de 2025 em virtude do afastamento do governador Wanderlei Barbosa, cujo processo de impedimento ainda se encontra em tramitação.

A poderosa caneta da Gestão ainda esteve nas mãos de dois outros vices ao longo da história política tocantinense: Eduardo Machado (Governo Carlos Gaguim – 2009 a 2011) e Claudia Lélis (Governo Marcelo Miranda – 2015 a 2018). 

A representação tocantinense no Senado Federal oportunizou a vários suplentes assumirem como titulares temporariamente, inclusive com uma substituição definita. A morte do senador eleito João Ribeiro abriu vaga para o suplente Ataíde de Oliveira, em 2013, que cumpriu o mandato até 2018.

Ao longo de quase 38 anos, 12 suplentes já assumiram temporariamente como senadores pelo Tocantins. Foram eles: Totó Cavalcante (Carlos Patrocínio – 1996); José Bonifácio (Leomar Quintanilha – 1996); Thelma Siqueira Campos (Eduardo Siqueira – 2000); Nezinho Alencar (João Ribeiro – 2005); Marco Antônio Costa (Kátia Abreu – 2008); Sadi Cassol (Leomar Quintanilha – 2009); Ataídes Oliveira (João Ribeiro – 2011); João Costa (Vicentinho Alves – 2012); Donizete Nogueira (Kátia Abreu – 2015); Guaracy Silveira (Kátia Abreu – 2018); Siqueira Campos (Eduardo Gomes – 2019) e Ogari Pacheco (Eduardo Gomes – 2022).

Todos os suplentes e vices governadores que assumiram vagas pelo Tocantins, exceto o médico paulista Ogari Pacheco e o empresário goiano Ataídes Oliveira, tiveram, antes de suas candidaturas, mandatos e uma folha de serviços públicos prestada ao Estado.

A reflexão fica para os eleitores, mas também para os partidos e os candidatos titulares. A responsabilidade pela qualidade na representação política não pode ser jogada somente no voto das urnas, precisa começar na escolha dos partidos por bons nomes, sejam titulares, vices ou suplentes. Não basta ter dinheiro ou empresas operando (e faturando) no Estado. Folha de serviços prestada à população, maturidade e sensibilidade política são elementos primordiais para o exercício de um bom mandato político.

Ricardo Abalem é Jornalista e Consultor Político.

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