Indicação de Paulo Roberto gera resistência e declarações do ex-prefeito de Taguatinga rendem reação do ex-senador Vicente Alves
A escolha da senadora Dorinha Seabra de indicar o prefeito de Taguatinga, Paulo Roberto, como coordenador de sua campanha no Sudeste do Tocantins provocou forte reação entre lideranças locais. O anúncio foi recebido com reservas por políticos da região, que apontam desgaste no nome de Paulo Roberto e afirmam que ele não consegue agregar forças nem mesmo em sua própria cidade. Segundo relatos, sua postura de impor candidatos apoiados pela senadora e criar atritos com lideranças que não o acompanham tem gerado desconforto e divisão.
Ataque a Vicentinho Jr.
A polêmica ganhou ainda mais destaque após Paulo Roberto classificar a postura do deputado Vicentinho Júnior como uma “molecagem” contra o grupo palaciano. A declaração foi vista como desastrosa por interlocutores da região, que consideram que o prefeito não tem condições de somar ao projeto político.
Resposta dura de Vicente Alves
Durante evento político em Taguatinga essa semana, o ex-senador Vicente Alves, pai de Vicentinho Júnior, rebateu publicamente as palavras de Paulo Roberto:
“O Paulo Roberto que não chame meu filho de moleque, porque ele não é. Nós respeitamos ele, respeitamos a dona Zeilla, que é uma senhora das mais decentes desta comunidade, respeitamos a Luiza, respeitamos Luan, que foram criados com ele aqui (apontando para o filho). Mas não vamos aceitar esse tipo de palavra. Eu estou considerando ele quase como um zumbi, um corpo sem alma. Taguatinga é uma cidade de tradições maravilhosas e merece respeito”.
O discurso de Vicente Alves foi interpretado como um recado direto à senadora Dorinha e ao grupo político que sustenta Paulo Roberto, reforçando a defesa do filho e criticando a postura do coordenador.
Paulo Roberto rebate críticas
Em resposta, Paulo Roberto afirmou ter recebido as palavras do ex-senador com “muita tranquilidade e sabedoria”. Ele disse que, ao contrário do que foi dito, não está “sem alma”, mas cada vez mais sábio com o passar do tempo:
“São 44 anos de vida pública. Conheci o ex-senador ainda no governo de Iris Resende, quando eu era diretor e superintendente, e ele era piloto de avião. Esse zumbi que ele citou foi o mesmo que votou nele para deputado estadual, federal, senador e até governador. E reafirmo: não tiro nenhuma vírgula do que disse. Foi uma molecagem o que fizeram com o governador Wanderlei Barbosa no encontro de vereadores, quando ele foi surpreendido”.
Lideranças defendem outro nome
Lideranças ouvidas no Sudeste avaliam que Dorinha poderia ter feito uma escolha mais estratégica, apontando o nome de Hercy Filho como alternativa mais viável. Para eles, Hercy tem histórico de serviços prestados às prefeituras da região, inclusive às que não eram ligadas ao governo, quando atuou como chefe de gabinete no Ministério do Turismo e quando ministro interino. Já Paulo Roberto, segundo essas vozes, “não agrega, não soma” e sua indicação representa um risco de isolamento político.
Cenário de divisão
O episódio expõe fissuras dentro do grupo político palaciano e evidencia a disputa por espaço e liderança no Sudeste do Tocantins, região considerada estratégica para o fortalecimento da campanha de Dorinha.


