Senador do Tocantins afirma que governadores terão papel importante na reorganização da oposição e diz que ainda há incertezas sobre a acomodação das forças políticas após a eleição
O senador Eduardo Gomes (PL-TO), vice-presidente do Senado, afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é uma das principais lideranças do campo da direita no país. Em entrevista ao jornal O Globo, o parlamentar destacou o papel dos governadores na reorganização da oposição após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Eduardo Gomes, os governadores terão participação decisiva nas articulações políticas do partido e na definição dos próximos passos da oposição. Ele também apontou que existe uma expectativa entre os integrantes do grupo sobre como será feita a distribuição de espaços e a acomodação das forças políticas após o resultado eleitoral.
“Tem uma ansiedade muito grande por entender como é que vai ser o processo de acomodação das forças políticas depois de uma eleição tão disputada”, declarou.
Ao comentar quem poderá assumir o protagonismo da oposição, o senador citou nomes como Tarcísio de Freitas, reeleito em São Paulo, Sérgio Moro, do Paraná, Jorginho Mello, de Santa Catarina, e Cleitinho, de Minas Gerais.
Gomes ressaltou que, embora o ex-presidente Jair Bolsonaro não esteja atualmente na atividade política, sua influência permanece nas discussões do grupo. Também mencionou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, parlamentares e dirigentes partidários como figuras importantes nesse processo.
Tarcísio é apontado como liderança incontestável
Questionado sobre a possibilidade de Tarcísio disputar a Presidência da República em 2030, Eduardo Gomes afirmou que o governador paulista tem força política consolidada e respeito entre diferentes setores da direita.
“Ele é um líder inconteste nesse campo político no Brasil”, afirmou o senador.
Na avaliação de Gomes, a liderança de Tarcísio está relacionada ao desempenho eleitoral em São Paulo, estado que governa, à reeleição em primeiro turno e à eleição de aliados para o Senado e para as bancadas federal e estadual.
Sobre uma possível nova candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2030, o parlamentar evitou fazer previsões. Segundo ele, ainda é necessário ouvir o próprio senador sobre seus planos, especialmente diante do cenário político após a eleição.
PL ainda não fez autocrítica sobre derrota
Eduardo Gomes também afirmou que o partido ainda não conseguiu realizar uma avaliação aprofundada dos motivos que levaram à derrota de Flávio Bolsonaro. Para ele, ainda é cedo para apontar erros específicos da campanha.
O senador mencionou que o debate eleitoral no segundo turno se concentrou em questões econômicas, promessas e compromissos relacionados à mudança dos programas de governo.
Sobre as declarações de Flávio a respeito do resultado eleitoral e as suspeitas levantadas por ele, Gomes afirmou que eventuais questionamentos sobre fraude ou uso do poder econômico ainda serão discutidos. Ao mesmo tempo, destacou a necessidade de reconhecer o resultado final e priorizar os mandatos conquistados pela bancada de centro-direita.
Disputa pela presidência do Senado
Na entrevista, o senador também comentou a futura disputa pela presidência do Senado. Segundo ele, o PL ainda discutirá internamente os possíveis caminhos, em reunião prevista para a próxima semana.
Gomes citou as candidaturas de Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), além da possibilidade de articulação em torno de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), nome ligado ao campo governista.
O parlamentar afirmou, no entanto, que um eventual apoio à reeleição de Alcolumbre ainda não foi discutido pelo partido.
Relação com o governo Lula
Sobre a relação do PL com o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Eduardo Gomes afirmou que o partido deverá atuar na oposição, mas ponderou que existem matérias de interesse nacional nas quais pode haver diálogo entre diferentes bancadas.
Ele citou como exemplos a Lei Geral do Saneamento e o Arcabouço Fiscal, que tiveram apoio de parlamentares de diferentes campos políticos.
O senador também demonstrou abertura para discutir mudanças nas regras das emendas parlamentares, avaliando que as alterações realizadas anteriormente não foram suficientes e que o tema deverá voltar à pauta do Congresso.



