Projeto do Pote de Ouro Arts passou por Palmas, Chapada dos Veadeiros e Natividade com exposições, intervenções artísticas e oficinas de argila
Depois de meses de circulação, encontros, trocas e muita arte moldada no barro, o projeto “Dança do Pote” encerra sua trajetória celebrando um importante resultado: cerca de 2 mil pessoas alcançadas diretamente ao longo de suas diferentes ações. Realizada pelo Ponto de Cultura Pote de Ouro Arts, a iniciativa percorreu Palmas, a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e Natividade, no Tocantins, conectando cerâmica, dança, música, memória, ancestralidade e formação cultural.
Com criação e obras do ceramista e artista visual Wanderley Batista e produção cultural de Daniella Aires, o projeto nasceu da investigação das relações entre os movimentos do corpo e os gestos realizados por quem trabalha a argila, tendo como uma de suas principais referências a Suça, manifestação tradicional profundamente ligada à cultura tocantinense.
Ao longo da circulação, “Dança do Pote” ultrapassou o formato de uma exposição convencional. Além da apresentação das obras, a proposta promoveu intervenções artísticas, Talks com o Artista e oficinas de modelagem manual em argila, proporcionando diferentes formas de contato entre público, artista e processo criativo.
O resultado foi uma experiência que transitou entre contemplação, conhecimento e prática, alcançando públicos de diferentes idades e territórios.
Para a produtora cultural Daniella Aires, o encerramento permite olhar para o caminho percorrido e perceber que o projeto conseguiu ampliar o acesso à produção artística tocantinense sem perder a ligação com os saberes que lhe deram origem. “Chegamos ao final com a sensação de que a Dança do Pote cumpriu exatamente aquilo que imaginamos quando começamos a desenhar o projeto: fazer a arte circular e criar encontros. Foram cerca de 2 mil pessoas alcançadas, mas esse número representa muito mais do que público. Representa crianças que colocaram a mão no barro pela primeira vez, pessoas que conheceram um pouco mais sobre a Suça e a cerâmica, diálogos com artistas e comunidades e a possibilidade de apresentar a produção cultural do Tocantins dentro e fora do nosso Estado”, destaca Daniella.
Palmas abriu o percurso
A circulação começou em Palmas, onde “Dança do Pote” integrou a programação da CASACOR Tocantins. A exposição foi instalada no ambiente “Caminho dos Quilombos”, no AMA – Orquidário de Palmas, colocando as peças de Wanderley Batista em diálogo com arquitetura, design, cultura popular, ancestralidade e arte contemporânea. O projeto ainda realizou em Palmas o Talk com o Artista, abordando o processo criativo, técnicas, memória, território e as relações entre a cerâmica, a Suça e os movimentos presentes nas manifestações populares, bem como duas Oficinas de Modelagem Manual em Argila, atendendo crianças, adolescentes e adultos.
Do Tocantins para a Chapada dos Veadeiros
Depois da etapa em Palmas, “Dança do Pote” atravessou as fronteiras do Estado e chegou à Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Entre 11 e 15 de outubro, o projeto integrou a programação do Encontro de Culturas da Chapada, levando para um território marcado pelo intercâmbio entre diferentes manifestações culturais brasileiras uma programação formada por exposição, intervenção artística, Talk com o Artista e duas oficinas de modelagem em argila para crianças.
A participação representou um dos momentos mais simbólicos da circulação. Em meio a artistas, mestres, comunidades e detentores de conhecimentos tradicionais de diferentes lugares, a produção tocantinense estabeleceu novos diálogos e apresentou suas referências a um público ampliado. Para Wanderley Batista, a circulação reafirmou que a cerâmica também pode funcionar como linguagem capaz de atravessar territórios e aproximar pessoas. “Cada lugar recebeu a Dança do Pote de uma maneira diferente, e isso foi uma das maiores riquezas do projeto. As peças nasceram das minhas referências, da Suça, do barro, da música e da observação dos movimentos, mas, quando elas chegam ao público, outras histórias começam a surgir”, afirma Wanderley.
A passagem por Natividade completou a trajetória do projeto em um território profundamente conectado à história, ao patrimônio e às manifestações tradicionais tocantinenses. A chegada da exposição ao município reforçou a proposta de fazer “Dança do Pote” dialogar com lugares onde memória, cultura e saberes transmitidos entre gerações permanecem vivos.
Somadas as exposições, ações de circulação, intervenções, Talks, oficinas e o fluxo de visitantes nos espaços onde “Dança do Pote” esteve presente, o projeto alcançou aproximadamente 2 mil pessoas. Para Daniella Aires, o resultado demonstra também a importância de pensar projetos culturais de maneira integrada, fazendo com que uma obra artística seja acompanhada de ações capazes de ampliar sua relação com o público.
Sobre o projeto
“Dança do Pote” é uma realização do Ponto de Cultura Pote de Ouro Arts, com criação, pesquisa e obras do artista e ceramista Wanderley Batista e produção cultural de Daniella Aires. O projeto promoveu uma investigação artística sobre as relações entre cerâmica, movimento, música e cultura popular, especialmente a partir da Suça e dos gestos presentes tanto na dança quanto na modelagem da argila.
Sua circulação reuniu exposições, intervenções artísticas, Talks com o Artista e oficinas de modelagem manual em argila, passando por Palmas, Chapada dos Veadeiros e Natividade e alcançando, ao longo de todas as etapas, cerca de 3 mil pessoas. A iniciativa foi aprovada no Promic 2025 – Programa Municipal de Incentivo à Cultura, da Fundação Cultural de Palmas, com recursos do Fundo Municipal de Apoio à Cultura, contribuindo para a produção, formação, circulação e valorização da arte e da cultura tocantinenses.



