Lançado pelos ministérios da Cultura e da Educação, programa recebe inscrições até 8 de novembro e busca aproximar universidades, escolas públicas e comunidades tradicionais. Projetos poderão receber até R$ 500 mil.
Os conhecimentos transmitidos de geração em geração, preservados pela oralidade, pelas práticas comunitárias e pelas tradições populares, ganham uma nova oportunidade de reconhecimento e valorização. O Ministério da Cultura (MinC), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), lançou o Edital do Programa Ciclo de Saberes com Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e das Artes, que disponibilizará R$ 5 milhões para projetos de integração entre universidades federais, escolas públicas e comunidades detentoras de saberes tradicionais. As inscrições estão abertas até o dia 8 de novembro de 2026.
No Tocantins, o Comitê de Cultura destaca a importância da iniciativa para fortalecer a preservação da memória cultural e incentivar a participação de mestras e mestres que mantêm vivas manifestações artísticas, culturais e conhecimentos ancestrais nos diferentes territórios do estado.
O programa tem como principal objetivo reconhecer as mestras e os mestres da cultura como detentores e transmissores de conhecimentos, promovendo a circulação desses saberes em ambientes educacionais e acadêmicos. A proposta reconhece que os conhecimentos produzidos fora das instituições formais de ensino também possuem valor científico, histórico, social e cultural, contribuindo para a formação de novas gerações.
Para o coordenador-geral do Comitê de Cultura no Tocantins, Kaká Nogueira, a iniciativa representa um avanço na valorização das culturas tradicionais e populares, especialmente por reconhecer a importância das pessoas que dedicam suas vidas à preservação dos saberes comunitários. “Quando falamos de cultura popular, estamos falando de conhecimentos que atravessam gerações e ajudam a construir a identidade dos nossos territórios. No Tocantins, temos uma diversidade extraordinária de saberes indígenas, quilombolas, manifestações populares, música, artesanato e tantas outras expressões que precisam ser reconhecidas e valorizadas. Esse edital é uma oportunidade de aproximar esses conhecimentos das universidades e das escolas, reconhecendo que nossas mestras e nossos mestres também são educadores e produtores de conhecimento”, destaca Kaká Nogueira.
Investimento de até R$ 500 mil por projeto
O edital prevê a seleção de até 13 projetos, distribuídos em duas categorias. Na Categoria A, denominada Escala Ampliada de Impacto, serão apoiadas até sete propostas, com investimento de até R$ 500 mil cada. Os projetos deverão envolver, no mínimo, dez mestras ou mestres, contemplar duas manifestações culturais de naturezas distintas, realizar atividades em diferentes municípios e atender pelo menos cinco escolas públicas.
Já a Categoria B, de Escala Focal de Impacto, prevê o apoio a até seis projetos, com recursos de até R$ 250 mil cada. Nessa modalidade, as propostas deverão contar com pelo menos cinco mestras ou mestres, desenvolver atividades em ao menos um município e atender, no mínimo, três escolas públicas.
As iniciativas selecionadas terão prazo de execução de até 12 meses e deverão desenvolver atividades em três espaços complementares: nas instituições federais de ensino superior, nos próprios territórios onde os saberes tradicionais são praticados e nas escolas públicas de educação básica. Entre as possibilidades estão oficinas, vivências culturais, rodas de conversa, seminários, apresentações artísticas, visitas a comunidades, demonstrações de técnicas tradicionais, atividades formativas e intercâmbios de conhecimentos. Um dos diferenciais da iniciativa é a previsão de remuneração das mestras e dos mestres participantes, reconhecendo o valor de seus conhecimentos e sua atuação como agentes de formação cultural.
Quem pode participar?
As inscrições deverão ser realizadas exclusivamente por Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), que serão responsáveis pela apresentação, coordenação e execução das propostas. Cada instituição poderá inscrever um único projeto. Entretanto, o edital prevê a participação de mestras e mestres diretamente ou por intermédio de associações culturais, coletivos, organizações da sociedade civil, Pontos de Cultura e Escolas Livres que os representem. Também é obrigatória a parceria com secretarias de educação ou escolas públicas de educação básica.
Dessa forma, embora não possam apresentar propostas diretamente, as organizações culturais e comunitárias desempenham papel fundamental na identificação dos detentores de saberes, na articulação territorial e na construção das atividades. As inscrições para o Programa Ciclo de Saberes com Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e das Artes seguem até 8 de novembro de 2026, exclusivamente pela plataforma Mapa da Cultura.
Sobre o Comitê de Cultura no Tocantins
O Comitê de Cultura no Tocantins integra o Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), iniciativa do Ministério da Cultura voltada à ampliação do acesso às políticas culturais, à promoção da participação social e ao fortalecimento das redes culturais nos territórios brasileiros. Por meio de ações de mobilização, formação, articulação institucional e difusão de informações, o Comitê atua para aproximar artistas, produtores, coletivos, organizações culturais e comunidades das políticas públicas de cultura, contribuindo para a democratização do acesso aos direitos culturais e para a valorização da diversidade artística e cultural tocantinense.
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