Curta-metragem “Me Ame Como Sou” inicia gravações em Araguaína com história inspirada em fatos reais
Produção audiovisual contemplada pela PNAB 2026 aborda autismo, luto, relações familiares, inclusão e a descoberta de novas formas de compreender e amar o outro
Uma história sobre afeto, perdas, descobertas e, sobretudo, sobre aprender a enxergar o mundo a partir da perspectiva do outro começa a ganhar vida em Araguaína. Tiveram início as gravações do curta-metragem “Me Ame Como Sou”, produção audiovisual inspirada em fatos reais que traz para as telas uma narrativa sensível sobre autismo, luto, família, inclusão e amor.
Com roteiro e direção da atriz araguainense Viviane Cartaxo, o filme acompanha a trajetória de Maitê, uma jovem atriz que construiu sua vida e sua carreira no Rio de Janeiro, mas se vê obrigada a retornar à cidade natal após a morte da mãe. Diante da perda, ela precisa reorganizar a própria existência e assumir uma nova responsabilidade: cuidar da irmã mais nova, Estrela, de 10 anos.
O retorno, no entanto, representa muito mais do que uma mudança geográfica. Enquanto tenta elaborar o luto e lidar com as transformações impostas pela nova realidade, Maitê descobre que Estrela é autista. A partir daí, começa para as duas uma jornada de aproximação, aprendizado e reconstrução dos vínculos familiares.
Maitê precisa rever conceitos, expectativas e formas de comunicação para compreender que a irmã percebe, sente e interage com o mundo de uma maneira própria. Mais do que ensinar Estrela a se adaptar, a experiência transforma também a protagonista, que passa a descobrir outras formas de escutar, acolher e amar.
Para a diretora e roteirista Viviane Cartaxo, a obra nasce do desejo de tratar temas complexos a partir de uma perspectiva profundamente humana, sem reduzir seus personagens a diagnósticos ou estereótipos. “‘Me Ame Como Sou’ fala sobre autismo, mas, antes de tudo, fala sobre pessoas, relações e sobre a capacidade que temos de transformar a nossa maneira de olhar para o outro. É uma história inspirada em vivências reais e que carrega muito afeto. Quero que o público consiga acompanhar essa transformação de Maitê e perceba que compreender alguém não significa tentar fazê-lo caber naquilo que consideramos normal. Muitas vezes, somos nós que precisamos aprender uma nova forma de enxergar e de nos comunicar”, destaca Viviane.
Autismo sob a perspectiva do afeto e da convivência
Ao colocar no centro da narrativa a relação entre duas irmãs, o curta propõe abordar o Transtorno do Espectro Autista para além de conceitos técnicos, concentrando-se nas experiências cotidianas, nos vínculos afetivos e nos desafios vivenciados dentro da própria família. A produção pretende contribuir para discussões sobre respeito às diferenças, inclusão, acolhimento e representatividade, mostrando que não existe uma única maneira de perceber ou se relacionar com o mundo.
O título da obra sintetiza justamente essa proposta: “Me Ame Como Sou” é um convite para que o amor não esteja condicionado à expectativa de que o outro mude para ser aceito. “Quando falamos de inclusão, também precisamos falar de escuta e de respeito. Não basta dizer que aceitamos as diferenças se continuamos querendo que todas as pessoas ajam, sintam ou se comuniquem da mesma forma. Acredito muito no audiovisual como ferramenta de empatia. Ele nos permite entrar, ainda que por alguns minutos, no universo de outra pessoa e talvez sair dali enxergando a vida de outra maneira”, acrescenta a diretora.
Além do autismo, a narrativa atravessa outra experiência profundamente humana: o luto. A perda da mãe é o ponto de ruptura na vida de Maitê e o acontecimento que força a personagem a interromper os planos que havia construído para si. Ao mesmo tempo, esse processo a aproxima de uma irmã cuja realidade ela ainda precisava conhecer verdadeiramente. O curta, dessa maneira, aborda a reorganização das relações familiares depois da perda, o amadurecimento forçado diante de novas responsabilidades e a construção do afeto em meio às diferenças.
Produção audiovisual realizada em Araguaína
“Me Ame Como Sou” é um projeto contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB 2026), por meio da Lei Aldir Blanc Municipal, fortalecendo a produção audiovisual e a realização de novas obras culturais em Araguaína.A realização do curta também representa a ampliação da produção audiovisual desenvolvida a partir do município, contribuindo para movimentar profissionais do setor e para que novas histórias possam ser produzidas a partir do Tocantins.
Ao escolher Araguaína como espaço para a realização da obra, o projeto também valoriza o território e amplia a presença de produções audiovisuais desenvolvidas fora dos grandes centros tradicionais do cinema e da televisão brasileira.
Para Viviane, produzir audiovisual no Tocantins também significa contribuir para que artistas e realizadores locais possam contar suas próprias histórias. “Eu construí parte da minha trajetória trabalhando em produções realizadas fora do Tocantins, experiências que foram fundamentais para minha formação. Mas existe algo muito especial em retornar a Araguaína e poder dirigir uma história aqui, no lugar onde minha própria trajetória começou. Precisamos fortalecer cada vez mais as condições para que artistas tocantinenses possam criar, produzir e permanecer produzindo audiovisual em nosso estado”, afirma.
Da atuação à direçãoNatural de Araguaína, Viviane Cartaxo iniciou sua trajetória artística em 2013, quando passou a integrar um grupo teatral. Foram mais de dez anos dedicados às artes cênicas, período em que participou de diversos espetáculos, projetos culturais e turnês viabilizadas também por leis de incentivo à cultura.A experiência construída no teatro abriu caminhos para sua atuação no audiovisual. Viviane integrou produções de alcance nacional, entre elas as novelas “Mar do Sertão”, “Elas por Elas” e “No Rancho Fundo”, da TV Globo.
A atriz também participou da série “Um Dia Qualquer”, da HBO, e do longa-metragem “Circo dos Sonhos”, ampliando sua experiência diante das câmeras e o contato com diferentes processos de produção audiovisual. Paralelamente à atuação, Viviane passou a desenvolver seus próprios roteiros, buscando transformar experiências, observações e vivências reais em narrativas audiovisuais marcadas por questões humanas e sociais.




