Entre as principais frentes de atuação estão o monitoramento e controle de medicamentos, de hemocomponentes, e de produtos e equipamentos de saúde
A vigilância sanitária é um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde. Nos hospitais universitários federais, ações de vigilância em saúde contribuem para dar mais proteção aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
No Hospital Universitário Júlio Bandeira, da Universidade Federal de Campina Grande (HUJB-UFCG/HU Brasil), o Setor de Gestão da Qualidade (STGQ) atua no gerenciamento das ações relacionadas à Vigilância Sanitária, em articulação com os setores assistenciais e administrativos do hospital e com as instâncias de vigilância em saúde. O trabalho envolve o acompanhamento de eventos adversos (EA), queixas técnicas, notificações e situações que possam representar riscos sanitários, contribuindo para a identificação de problemas e a adoção de medidas preventivas e corretivas.
Entre as principais frentes de atuação estão a farmacovigilância, a hemovigilância e a tecnovigilância, que permitem o monitoramento sistemático de medicamentos, sangue e hemocomponentes, produtos para saúde e tecnologias utilizadas na assistência. A partir das notificações, são realizadas análises e encaminhamentos necessários aos órgãos e sistemas oficiais de vigilância.
“Quando identificadas situações de risco, o setor realiza a investigação, consulta informações e pareceres técnicos da Anvisa e, quando necessário, promove ações como a retirada de produtos de uso, comunicação de interdição ou recolhimento e devolução ou troca de produtos e lotes”, acrescenta explica Érica Ricarte, chefe do STGQ.
Vigilância em saúde
O processo de vigilância em saúde também contempla o monitoramento de notificações de eventos adversos e queixas técnicas, a elaboração de relatórios e a emissão de recomendações técnicas. As informações produzidas subsidiam a tomada de decisão e o aprimoramento contínuo dos processos assistenciais. Outra iniciativa é a publicação de boletins de alerta de vigilância sanitária, que contribuem para disseminar informações e orientar os profissionais quanto aos riscos identificados e às medidas de prevenção e controle.
A vigilância sanitária também representa uma importante ferramenta de gestão de riscos e melhoria contínua da qualidade da assistência. As ações desenvolvidas buscam transformar notificações e informações em oportunidades de aprendizado e aperfeiçoamento dos processos de trabalho.
“A vigilância sanitária está diretamente relacionada à segurança do paciente. Conseguimos identificar riscos, investigar suas causas e contribuir para a adoção de medidas que tornem a assistência cada vez mais segura”, conclui Érica Ricarte.
Farmacovigilância e a segurança no uso dos medicamentos
Conforme a farmacêutica Cleni Veroneze, responsável pela farmacovigilância no Setor de Farmácia do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR/HU Brasil), o objetivo da farmacovigilância é contribuir para a segurança no uso dos medicamentos. A especialista explica que é a legislação sanitária que determina as ações a serem cumpridas.
Uma das estratégias de identificação de eventos adversos (EA) é a notificação voluntária no HU Brasil via Vigihosp. Por meio dela é iniciada uma avaliação do caso para identificação das causas, consequências e medidas preventivas pertinentes, com reporte à Anvisa, que direciona ações de proteção para a saúde de toda a população, como novas legislações, retirada de medicamentos do mercado, alteração de bulas, criação de alerta de segurança e promoção de campanhas públicas.
Prevenção de riscos à saúde do paciente
O Setor de Farmácia Hospitalar (SFH), juntamente com as equipes das unidades associadas como a Unidade de Farmácia Clínica e Dispensação Farmacêutica, também contribui na prevenção de riscos ao paciente.
Segundo o farmacêutico Juliano da Silva Ferreira, chefe do Setor de Farmácia Hospitalar do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil), a farmácia hospitalar (HU) possui diversos mecanismos com este intuito, como lista de medicamentos padronizados na unidade hospitalar; triagem farmacêutica e conferência de todas as prescrições médicas identificando possíveis interações medicamentosas, doses inadequadas, alergias e contraindicações; sistema eletrônico de gerenciamento de estoque, pois assim todos os insumos farmacêuticos são cadastrados com a informação de lote e validade, permitindo rastreabilidade de todos os produtos dispensados e acompanhamento do estoque em tempo real, minimizando as chances de um desabastecimento e; promoção da conciliação farmacêutica da admissão e na alta do paciente.


