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Lula sobre fim da 6 x 1: “Se todo o mal que eu causar for fazer a direita atender interesses do povo, vou continuar” 

Após meses de críticas, candidato do PL anuncia voto favorável à redução de jornada sem redução de salário, que deve ser apreciada no Senado nesta quarta

Inoportuna. Inócua. Populista. Eleitoreira. Depois de meses endossando críticas ao fim da escala 6 x 1 sem corte salarial e com redução de jornada, Flávio Bolsonaro anunciou nesta terça-feira, 13, que votaria a favor na avaliação do projeto, prevista para esta quarta-feira, no plenário do Senado. A mudança de opinião ocorre a 12 dias do segundo turno presidencial, após cobranças públicas do presidente Lula e de manifestações da sociedade em defesa dos dois dias de descanso semanal.

Até então, Flávio e integrantes da coordenação de sua campanha tinham classificado a discussão como inoportuna e eleitoreira, e defendido a negociação individual entre patrões e empregados. Em evento no Planalto para anunciar novas medidas para os MEIS, Lula atribuiu a mudança de posição à pressão popular.

“Me parece que depois da pressão da sociedade, me parece que depois de todas as manifestações nas ruas deste Brasil, o PL resolveu votar o fim da escala de 6×1”, afirmou o presidente. Na sequência, ironizou o avanço da pauta entre os adversários: “Se todo o mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso”.

Nos dias anteriores, Lula vinha cobrando publicamente que Flávio e seu partido assumissem posição. Em 6 de outubro, quando o Senado iniciou a discussão da PEC, o presidente afirmou que a sociedade estava atenta à votação e questionou se o PL permitiria que a bancada votasse a favor da redução da jornada. 

Em maio, ainda pré-candidato, Flávio classificou a proposta em debate como inoportuna e eleitoreira. Disse que o texto “tenta vender para a população uma solução fácil”. Em agosto, o plano de governo do candidato não assumiu compromisso com o fim da escala 6×1 e defendeu que empregados e empresas “combinem diretamente as condições de trabalho”. 

Na campanha, a coordenadora econômica Daniella Marques classificou o debate sobre a redução da jornada como “populista e inócuo”. Na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, um dos poucos votos contrários à PEC foi de Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio. 

O Que é 

A PEC em discussão no Senado prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem corte salarial. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, 14,8 milhões de pessoas com carteira assinada cumprem atualmente a escala 6×1 no país. Para esses trabalhadores, a discussão envolve não apenas a quantidade de horas trabalhadas, mas a garantia de descanso sem perda de renda.“Mais do que horas no relógio, estamos devolvendo aos trabalhadores e trabalhadoras o direito ao convívio com a família. Ao descanso. À vida além do trabalho. As duas folgas semanais significam mais tempo para estudar, se divertir, cuidar da saúde e ver os filhos crescerem”, afirmou o presidente Lula em postagem recente no X. 

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