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Críticas de Kátia Abreu expõem dilema estratégico na campanha de Lula para o 2º turno

Fala da ex-senadora revela tensões e abre debate sobre como dialogar com evangélicos e empresários no segundo turno

A reunião da cúpula do PT em Brasília, marcada para avaliar o desempenho de Lula no primeiro turno, ganhou contornos de crise interna após a fala de Kátia Abreu. Ao defender “menos Janja, mais Alckmin”, a ex-senadora não apenas criticou a condução da comunicação, mas também expôs um dilema estratégico: qual narrativa deve prevalecer na reta final da campanha.

Janja e o eleitorado evangélico

A primeira-dama tem sido uma figura central na campanha, reforçando a imagem de proximidade e afetividade de Lula. No entanto, sua atuação também gera resistências internas, especialmente quando ocupa espaço que tradicionalmente seria destinado ao vice-presidente. A crítica de Kátia, respaldada por aplausos, sinaliza que parte da militância e da coordenação vê risco em uma exposição excessiva de Janja, sobretudo diante da tentativa de conquistar o eleitorado evangélico.

Após a repercussão, Janja enviou mensagem à ex-senadora afirmando que sua participação na campanha é uma decisão do presidente Lula e que não será reduzida. A assessoria da primeira-dama reforçou que sua presença nos palanques é “legítima e sempre respaldada pelo presidente”.

Alckmin e a aproximação com empresários

Ao defender maior protagonismo de Geraldo Alckmin, Kátia Abreu sinalizou para outro público estratégico: o empresariado. O vice-presidente, com sua trajetória no PSB e perfil moderado, é visto como figura capaz de reduzir resistências ao petismo em setores econômicos que ainda demonstram desconfiança em relação a Lula.

A ampliação do espaço de Alckmin poderia reforçar a credibilidade da campanha junto ao mercado e transmitir a imagem de estabilidade institucional, algo valorizado por investidores e empresários.

Consequências internas e externas

As críticas de Kátia Abreu podem gerar efeitos imediatos. A reconfiguração da comunicação. com pressão para que a campanha adote um discurso mais racional e programático, voltado para propostas concretas, em vez de depender da narrativa emocional, e um maior protagonismo de Alckmin. Caso a avaliação de que o vice está subutilizado ganhe força, sua presença pode ser ampliada em agendas estratégicas, especialmente em encontros com empresários e lideranças religiosas.

Porém, a resistência de Janja em reduzir sua participação pode intensificar disputas dentro da coordenação, exigindo habilidade de Lula para equilibrar os espaços e evitar que divergências internas se tornem públicas.

O desafio do segundo turno

O episódio evidencia que a campanha de Lula enfrenta um dilema: apostar na emoção e na proximidade representada por Janja ou reforçar o pragmatismo e a moderação de Alckmin. A decisão sobre qual narrativa prevalecer terá impacto direto na relação com dois segmentos cruciais — evangélicos e empresários — e pode definir o tom da campanha até o dia da votação.

Novata, mas protagonista

Kátia Abreu ingressou no PT em 2026, após passagens por DEM, PSDB PP e MDB. Ex-senadora pelo Tocantins, foi ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff e presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Sua intervenção na reunião reforça o debate interno sobre os rumos da campanha no segundo turno, marcado por disputas de narrativa e pela busca de maior capilaridade junto ao eleitorado.

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