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Artpalco 25 anos: Eurotur chega ao fim após atravessar Portugal, Itália, Espanha e Inglaterra

Circulação de “E Se a Gente se Conhecesse Outra Vez?” promoveu apresentações e ação formativa e transformou amor, recomeços e identidade brasileira em pontes com públicos de diferentes países

Depois de atravessar fronteiras, idiomas e diferentes paisagens culturais, o Grupo Artpalco encerrou a Eurotur 2026 celebrando um saldo de aproximadamente 600 pessoas alcançadas entre apresentações e atividades formativas realizadas em Cascais, Portugal; Brescia, Itália; Madrid, Espanha; e Londres, Inglaterra.

A circulação internacional levou aos quatro países o espetáculo “E Se a Gente se Conhecesse Outra Vez?”, com dramaturgia e direção de Luiz Navarro, protagonizado por George Henrique Silva e Tatiane Breve. Em cada cidade, o grupo encontrou um público formado principalmente por brasileiros residentes no exterior, mas também por estrangeiros interessados na língua, na música, no teatro e na cultura brasileira.

A jornada começou em Cascais, no dia 20 de setembro, seguiu para Brescia, no dia 23, chegou a Madrid, no dia 25, e teve sua última apresentação em Londres, no dia 27 de setembro. Ao longo da circulação, a mesma história encontrou diferentes formas de recepção, mas uma reação se repetiu: a identificação com a mensagem sobre amor, tempo, escolhas, afetos e possibilidade de recomeçar.

Para o coordenador do projeto e ator George Henrique Silva, concluir a Eurotur representa a realização de um projeto construído durante meses e, ao mesmo tempo, a abertura de novas perspectivas para o Artpalco.

“Foram dias muito intensos e difíceis de traduzir apenas em números. Quando chegamos ao final e percebemos que cerca de 600 pessoas tiveram contato com as nossas ações em quatro países, entendemos a dimensão do que construímos. Encontramos brasileiros que moram há muitos anos fora do País, pessoas que nunca tinham ouvido falar do Tocantins e espectadores que sequer compreendiam completamente o português, mas todos conseguiram estabelecer algum tipo de relação com a história. Foi emocionante perceber que um espetáculo que nasceu do nosso fazer teatral em Araguaína conseguiu atravessar o oceano e criar encontros tão verdadeiros”, destaca George Henrique. 

Brasileiros no exterior encontram no teatro uma ponte com o País

A presença expressiva de brasileiros nas plateias deu à circulação uma dimensão afetiva particular. Para muitos, assistir a uma companhia brasileira em cidades europeias significou também reencontrar sons, sotaques, gestos e referências culturais que permanecem presentes mesmo depois de anos vivendo longe do País.

Em Cascais, onde a circulação iniciou, uma brasileira residente em Portugal, Ana Claudia Matos destacou a proximidade da obra com sua própria experiência. “Morar fora faz a gente pensar muito sobre os caminhos que escolheu, as pessoas que ficaram e aquilo que poderia ter sido diferente. A peça tocou exatamente nesse lugar. Fala de amor, mas também de coragem para olhar para a própria história e compreender que a vida sempre pode oferecer um recomeço. Foi muito especial receber um grupo brasileiro aqui”.

Na passagem por Brescia, a identificação também ganhou força entre brasileiros residentes na Itália. “Saí do teatro pensando nas pessoas que marcaram a minha vida e nas oportunidades que às vezes deixamos passar. Quem vive longe do Brasil carrega muitos reencontros imaginados dentro de si. A peça fala de uma maneira muito delicada sobre isso. E ver artistas brasileiros apresentando nosso teatro na Itália dá uma sensação enorme de orgulho e pertencimento”, afirmou Beatriz Souza.

Em Madrid, a montagem voltou a provocar reflexões sobre escolhas e novas possibilidades. “A pergunta do título continua com a gente depois que o espetáculo termina. Será que conheceríamos as mesmas pessoas da mesma maneira se pudéssemos começar novamente? É uma história muito humana. Para quem mora fora, essa ideia de recomeço tem um significado muito forte, porque todos nós, de alguma forma, também tivemos que reconstruir partes da nossa vida”, considerou Jeremias Lotufo. 

Em Londres, última etapa da circulação, a apresentação marcou o encerramento da Eurotur diante de um público novamente atravessado pela presença brasileira. “Foi uma mistura de saudade e alegria. A gente vive aqui, constrói uma vida nova, mas continua conectado ao Brasil. Quando chega um espetáculo brasileiro, é como se uma parte da nossa cultura entrasse naquela sala com a gente. E a mensagem sobre amor, encontros e segundas chances tornou tudo ainda mais emocionante”, complementou Nando Rosa.

Universal

A Eurotur também evidenciou uma característica essencial das artes cênicas: a capacidade de comunicação para além da palavra. Ao longo da circulação, espectadores não brasileiros e amantes da cultura do País também acompanharam as apresentações. Mesmo quando o domínio da língua portuguesa era limitado, elementos como música, interpretação, expressão corporal, gestualidade, ritmo e atmosfera cênica permitiram que a narrativa chegasse ao público. “Não compreendi todas as palavras, mas isso não impediu que eu entendesse o sentimento da história. A música, os rostos dos atores, os silêncios e os movimentos dizem muitas coisas. Há momentos em que não é preciso traduzir uma emoção. Foi também uma maneira muito bonita de conhecer um pouco mais da cultura brasileira”, disse Jhon Schaviacini. 

Para o dramaturgo e diretor Luiz Navarro, a experiência confirma justamente a dimensão universal que esteve na origem da obra. “O teatro acontece plenamente quando deixa de pertencer apenas a quem o criou e passa a encontrar significados na experiência de quem assiste. Ver essa dramaturgia chegar a outros países e perceber que pessoas de diferentes origens se reconhecem nos conflitos de Ana e Lauro mostra que amor, ausência, escolhas, tempo e desejo de recomeçar são questões que atravessam fronteiras. Cada plateia devolveu ao espetáculo um novo olhar”, afirma Navarro. 

Música como linguagem de encontro

A dimensão musical também teve papel central na aproximação com as plateias europeias. Sob direção musical de Nice Albano e Zé Caetano, a música integrou a experiência cênica como elemento de atmosfera, memória e emoção. Para os diretores musicais, a circulação mostrou como a sonoridade pode funcionar como uma linguagem imediatamente acessível, inclusive quando existem barreiras linguísticas. “A música possui uma capacidade muito especial de chegar antes da palavra. Em vários momentos percebemos pessoas que talvez não acompanhassem cada frase do português, mas reagiam à música, ao ritmo e à emoção criada em cena. Isso reforçou para nós a importância da trilha dentro da dramaturgia. Ela não está ali apenas para acompanhar; ela também conta a história”, destacam Nice Albano e Zé Caetano.

Jogos Teatrais e de Inteligência Emocional ampliam alcance do projeto

A Eurotur não se limitou às apresentações. O projeto também realizou a ação formativa “Jogos Teatrais e de Inteligência Emocional”, ministrada pela atriz e analista comportamental Tatiane Breve. A atividade utilizou práticas teatrais, improvisação, percepção corporal, escuta, criatividade e exercícios coletivos como ferramentas para trabalhar aspectos relacionados ao reconhecimento das emoções, empatia, confiança, comunicação e relação com o outro.

Para Tatiane, unir circulação artística e formação permitiu compartilhar não apenas o espetáculo pronto, mas também princípios presentes no próprio processo teatral. “Os jogos teatrais trabalham presença, escuta, disponibilidade, confiança e capacidade de perceber o outro. Quando aproximamos essas ferramentas da Inteligência Emocional, o participante começa a compreender que aquilo que experimentamos no teatro tem aplicação direta nas relações humanas. A oficina trouxe encontros muito bonitos e mostrou que podemos usar o fazer teatral para desenvolver outras formas de reconhecer e expressar emoções”, afirma Tatiane Breve.

Participante da atividade, Welber Leão ressalta a experiência de perceber conceitos da Inteligência Emocional de maneira prática. “A oficina faz com que a gente experimente antes mesmo de tentar explicar racionalmente. Em alguns jogos você precisa confiar, ouvir, observar o outro e perceber as próprias reações. Isso faz com que temas como empatia, comunicação e controle das emoções deixem de ser apenas conceitos e passem a ser vividos na prática. Foi uma experiência muito rica”. 

Uma circulação construída também nos bastidores

Para a produtora executiva e coordenadora de comunicação Cinthia Abreu, o resultado da Eurotur deve ser medido não somente pelo público alcançado, mas pelas conexões institucionais, culturais e humanas construídas ao longo do percurso. “Fazer uma circulação internacional exige um trabalho muito grande antes de o espetáculo chegar ao palco: articulação com espaços culturais, documentação, logística entre países, comunicação em diferentes idiomas, deslocamentos, hospedagem, produção técnica e acompanhamento de uma equipe durante todo o roteiro. Quando chegamos ao final e vemos aproximadamente 600 pessoas alcançadas, brasileiros emocionados por reencontrarem sua cultura e estrangeiros interessados no nosso teatro, entendemos que todo esse esforço valeu a pena. A Eurotur mostrou que existe espaço para a produção cultural tocantinense estabelecer diálogos internacionais e também abriu portas para novas redes e futuras parcerias”, avalia Cinthia. 

Do Norte do Brasil para quatro países

Para Tatiane Breve, que viveu a circulação tanto como atriz quanto como ministrante da atividade formativa, a Eurotur reuniu diferentes dimensões de uma mesma experiência artística. “Em cada cidade havia uma plateia diferente e, consequentemente, um espetáculo que também se transformava. Como atriz, foi muito emocionante sentir como Ana chegava a essas pessoas. Como ministrante, tive a oportunidade de encontrar os participantes em outro lugar, não apenas na relação palco e plateia, mas no compartilhamento direto de experiências. Volto dessa circulação entendendo ainda mais o teatro como espaço de encontro”, acrescenta Tatiane.

George Henrique também destaca que o encerramento da viagem não significa o fim dos desdobramentos do projeto. “Terminamos essa etapa internacional com uma sensação muito forte de que outras possibilidades começaram aqui. Cada contato, cada instituição que nos recebeu, cada brasileiro que veio nos abraçar depois do espetáculo e cada pessoa que descobriu o teatro tocantinense durante essa circulação passa a fazer parte dessa história. Voltamos ao Brasil diferentes de quando saímos e com ainda mais vontade de continuar levando nosso trabalho para outros lugares”, completa o coordenador. 

Do Tocantins para o mundo

A Eurotour reafirma um movimento construído pelo Grupo Artpalco ao longo de sua trajetória: ampliar os espaços de circulação da produção teatral feita em Araguaína e demonstrar que trabalhos desenvolvidos no Norte do Brasil podem dialogar com públicos em diferentes territórios. O projeto tem como proponente o Instituto Social e Cultural Araguaia (Isca), é apresentado pelo Grupo Artpalco e é realizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), via Ministério da Cultura, e a circulação conta ainda com apoio da Prefeitura Municipal de Araguaína. 

Ficha Técnica

Projeto: Eurotur – “E Se a Gente se Conhecesse Outra Vez?”

Realização: Lei Federal de Incentivo à Cultura, via Ministério da Cultura

Proponente: Instituto Isca

Apoio: Prefeitura Municipal de Araguaína

Apresentação: Grupo Artpalco

Coordenação do Projeto: George Hentique Silva

Produção Executiva: Cinthia Abreu

Dramaturgia e direção: Luiz Navarro

Elenco: George Henrique e Tatiane Breve

Direção musical: Nice Albano e Zé Caetano

Assistentes de Produção: Alyson Lira e Leidivan dos Santos

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