Especialista destaca que consultas regulares e hábitos saudáveis ajudam a prevenir doenças e reduzir complicações
A adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento periódico da saúde são medidas importantes para prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida da população masculina. Às vésperas do Dia do Homem, celebrado em 15 de julho, o médico ortopedista Horácio Macedo, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil), orienta sobre a importância da prevenção e do cuidado contínuo com a saúde.
Uma das principais recomendações é romper com a ideia de que só se procura o serviço de saúde quando algo dói.
“O cuidado começa antes do sintoma. Isso significa manter acompanhamento regular, conhecer o histórico familiar, controlar pressão arterial, glicemia, colesterol e peso, evitar tabagismo e reduzir o consumo de álcool. Também é fundamental a atenção a sinais que os homens costumam normalizar, como cansaço persistente, alterações urinárias, perda de peso sem explicação, dores recorrentes e mudanças de humor”, alerta o médico.
Prevenção
O médico ressalta que a prevenção contribui para o diagnóstico precoce e reduz o risco de complicações, reforçando a importância das consultas de rotina e dos cuidados contínuos com a saúde.
“As consultas de rotina permitem identificar fatores de risco antes que se transformem em doença estabelecida. Os exames preventivos detectam alterações em fase silenciosa, quando o tratamento é mais simples e o prognóstico é melhor. A vacinação segue sendo necessária na vida adulta, e muitos homens desconhecem que possuem esquemas incompletos. A alimentação equilibrada e a atividade física regular atuam diretamente sobre hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares, que estão entre as principais causas de morte na população masculina. E a saúde mental precisa entrar nessa lista com o mesmo peso das demais, porque ansiedade, depressão, uso abusivo de álcool e sofrimento psíquico frequentemente se manifestam de forma silenciosa nos homens, e o índice de suicídio masculino permanece elevado. Cuidar da saúde mental é parte do cuidado clínico, não um apêndice dele”, recomenda.
Horácio Macedo explica que os homens ainda procuram os serviços de saúde com menor frequência do que as mulheres e, em muitos casos, chegam às consultas com doenças em estágios mais avançados.
“Isso é observado na prática clínica e está documentado na literatura e nas políticas públicas, inclusive na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. Há uma combinação de fatores: barreiras culturais que associam o adoecimento à fragilidade, dificuldade de conciliar horários de trabalho com o funcionamento das unidades, o hábito de recorrer diretamente à farmácia e a percepção de que o serviço de saúde é um espaço voltado à mulher e à criança. O resultado é uma entrada tardia no sistema, muitas vezes já pela porta da urgência”, lamenta.
De acordo com o médico, o diagnóstico tardio pode aumentar a complexidade do tratamento e elevar o risco de complicações. Do ponto de vista do sistema, um agravo que poderia ser controlado na atenção primária com medicação e acompanhamento passa a demandar procedimentos de alta complexidade.
“É a diferença entre controlar uma hipertensão em consulta ambulatorial e tratar as consequências dela, como infarto, acidente vascular cerebral ou doença renal crônica com necessidade de diálise. O custo humano e o custo assistencial crescem juntos”, comenta.
Para ampliar o cuidado com a saúde masculina, o especialista aponta três frentes prioritárias: A primeira é a educação em saúde, com linguagem acessível e presença nos espaços onde os homens efetivamente estão, como o ambiente de trabalho, os locais de convivência e as redes sociais. A segunda é a organização do acesso, com estratégias que reduzam as barreiras práticas, incluindo o acolhimento sem julgamento e o aproveitamento de qualquer contato com o serviço como oportunidade de rastreamento. A terceira é a articulação em rede, garantindo que o paciente identificado na atenção primária tenha caminho definido até o serviço especializado.
Sobre a HU Brasil
O HDT-UFNT integra a Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

