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Paulo Mourão critica instituições e cobra eleitores por mudanças e fim da corrupção em entrevista

Pré-candidato ao Senado aproveitou espaço para marcar posição, denunciar desigualdades, expor falhas institucionais e se apresentar como alternativa ética e transformadora

O ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado pelo PT do Tocantins, Paulo Mourão, fez duras críticas ao sistema político e às instituições responsáveis pela fiscalização eleitoral durante entrevista a uma rádio tocaninense. Além de apontar o abandono da região Sudeste do estado e a precariedade da saúde pública, Mourão destacou a persistência da corrupção nas campanhas e acusou o Ministério Público Eleitoral de ser omisso diante da compra de votos.

Segundo ele, há uma “naturalização” da prática de compra de votos no Tocantins, o que compromete a legitimidade da representação popular. Mourão afirmou que o Ministério Público Estadual e Eleitoral não têm atuado com o rigor necessário para coibir tais crimes, permitindo que candidatos utilizem poder econômico para manipular resultados.

O pré-candidato classificou como “cretinice” a postura de políticos que ignoram a pobreza da região, onde 58% da população depende do CadÚnico. Além disso, denunciou atrasos de até oito meses nos repasses à Fundação Pró-Rim, o que impede novos tratamentos de hemodiálise e obriga pacientes de cidades como Taguatinga e Arraias a se deslocarem até Barreiras (BA) para atendimento. Mourão também chamou atenção para a baixa cobertura de pré-natal e a ausência de rastreamento oncológico, evidenciando falhas estruturais na saúde pública.

Contexto político e estratégia

O discurso de Paulo Mourão combina denúncia social e crítica institucional. Ao expor a pobreza, a precariedade da saúde e a corrupção eleitoral, ele busca construir uma narrativa de mudança e se posicionar como voz independente. O desafio, porém, será transformar essas críticas em propostas concretas de reforma e fiscalização, capazes de convencer o eleitorado de que sua candidatura não se limita à retórica.

A entrevista reforça a estratégia de Mourão de se apresentar como alternativa ética e combativa no cenário tocantinense. Ao criticar diretamente instituições como o Ministério Público Estadual e o Eleitoral, ele busca se diferenciar como candidato que não teme confrontar poderes estabelecidos. O discurso contra a compra de votos é também uma tentativa de mobilizar eleitores desiludidos com a política tradicional, ao mesmo tempo em que cria tensão institucional.

Mourão mostra que está de corpo e alma na disputa de 2026, alinhado ao projeto nacional do PT e à reeleição de Lula. Ex-prefeito de Porto Nacional e ex-deputado estadual e federal, ele tem trajetória marcada por gestão descentralizada e prêmios de empreendedorismo público. A chegada da ex-senadora Kátia Abreu ao PT, considerada por ele uma “grata surpresa”, sinaliza possíveis rearranjos políticos no estado.

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