Grupo anuncia saída da base aliada na Câmara e deve deixar secretaria municipal
A crise política desencadeada pela investigação sobre a terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) provocou na noite desta quarta-feira, 10, a primeira ruptura formal na base de sustentação do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos). O Coletivo Somos anunciou o desligamento da base governista na Câmara Municipal e comunicou que deixará de integrar a administração por meio da Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos.
A decisão foi divulgada poucas horas após a operação da Polícia Civil que resultou na prisão da secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, além de outros alvos ligados à gestão. Em nota vídeo no perfil da rede social oficial, a co-vereadora Thamires afirmou que os acontecimentos recentes aprofundaram divergências políticas e administrativas que já vinham sendo discutidas internamente pelo grupo.
Com o rompimento, o Coletivo Somos também deve entregar o comando da Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos, atualmente ocupada por José Eduardo de Azevedo. O grupo integrava a coalizão política que apoiou a eleição de Eduardo Siqueira Campos em 2024 e mantinha participação na estrutura administrativa desde o início do mandato.
Ao longo dos últimos meses, o coletivo esteve à frente de pautas relacionadas à promoção da igualdade racial, diversidade, direitos humanos e cultura popular, além de contribuir em articulações junto ao governo federal. Apesar da proximidade inicial com a gestão, o grupo vinha demonstrando desconforto com decisões administrativas e políticas adotadas pelo Executivo.
“Essa não é uma decisão simples, ela carrega reflexões, aprendizados e a responsabilidade de continuarmos fiéis aos valores que fizeram a população confiar em nós. A quem nos cobrou essa decisão queremos dizer: ‘Nós tentamos mudar as coisas por dentro, porque acreditávamos que isso poderia gerar resultados concretos para Palmas e há quem talvez não concorde com a nossa saída, pedinos compreensão’! Existem momentos que significa abrir mão daquilo que somos e o Somos não nasceu pra isso. Saímos da gestão, mas não saímos da luta, continuaremos fiscalizando agora de uma nova forma, propondo diálogo e defendendo o povo de Palmas”, disse a vereadora Thamires.

