O Seminário que contou com a participação de diversas entidades foi avaliado de forma positiva pelos participantes
A Alternativas para a Pequena Agricultura (APA-TO), em parceria com a Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (Asmubip), realizou o Seminário Regional dos Produtos da Sociobiodiversidade na Alimentação Escolar nos dias 25 e 26 de maio, na Paróquia Jesus Bom Pastor. Dentre as atividades, a Cozinha Show com a nutricionista funcional e chef Carina Müller.
O primeiro dia de atividade foi dedicada a discussões sobre o valor ambiental, cultural e nutricional da sociobiodiversidade, além de caminhos para acessar os mercados institucionais. Durante toda a atividade uma Mostra dos Produtos comercializava itens como sabonetes, biojoias, amêndoas e mesocarpo de babaçu, mel, amendoim, artesanatos, dentre outros.
Na abertura, as quebradeiras de coco babaçu fizeram um momento de quebra do coco para demonstrar de onde vem o óleo, o azeite e o mesocarpo.
o superintendente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Marco Túlio do Nascimento afirmou que o esforço dos trabalhadores familiares e extrativistas vai além da produção.
“A agricultura familiar subverte a lógica reinante de exportação de commodities que é a lógica do veneno na comida e nas águas. A agricultura familiar e extrativista mostra o contraponto, que é possível produzir comida boa para garantir hábitos alimentares saudáveis para nós e as próximas gerações”, ressaltou Nascimento.
O posicionamento do superintendente da Conab foi complementado pela fundamentação da nutricionista funcional Carina em sua primeira contribuição no evento. Na mesa de diálogo sobre a importância ambiental, cultural e nutricional dos produtos regionais, a chef apresentou valores calóricos e nutricionais do babaçu, um dos nutrientes dessa sociobiodiversidade.
Segundo Carina, o babaçu é coringa na mesa regional, uma vez que apresenta alto valor em fibras, o que aumenta a saciedade, e possui valor proteico maior do que uma farinha de trigo convencional, “com o bônus de que o mesocarpo de babaçu não tem glúten, integrando o cardápio para todas as pessoas, até mesmo aquelas que são celíacas”.
Para chegar às salas de aula, no entanto, é necessário que os produtos da sociobiodiversidade precisam de acesso. Segundo a política do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), 45% do recurso deve ser destinado à compra dos produtos da agricultura familiar da região.
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é uma das possibilidades de compra e venda da produção dos pequenos agricultores e extrativistas. Na mesa de diálogo sobre o acesso a esse mercado institucional, a nutricionista da Superintendência Regional de Ensino (SER) de Araguatins Poliana Gomes Januário apontou algumas importantes oportunidades e desafios para a inserção dos produtos da agricultura familiar na região.
“Compromisso”, foi a palavra que a presidente da Cooperativa de Produção e Comercialização dos Agricultores Familiares Agroextrativistas de Esperantina (Cooaf-Bico), Maria Senhora Carvalho da Silva, usou para acionar a autorresponsabilidade em cada representante que participou do seminário. “Nós estamos todos aqui juntos para mostrar que a alimentação escolar com produtos de qualidade e produzidos pelo nosso povo dá certo, mas temos que sair daqui com esse engajamento”.
Para falar de estratégias de acesso aos mercados, sejam privados ou institucionais, um convidado do Rio Grande do Sul veio ao norte do Tocantins compartilhar suas experiências como membro da Rede Ecovida. Técnico do Centro de Tecnologias Alternativas Populares (Cetap) Edson José Klein, demonstrou como o acesso ao mercado privado de outro estado foi importante para a estruturação de uma das organizações que acompanha no Sul.
“Nós entendemos que vender para mercados de São Paulo dava um retorno maior e mais equivalente à maturidade da produção do que ficar apenas nos arredores do pequeno município onde estavam a maioria dos produtores associados. Analisar a realidade local e a disponibilidade dos diferentes mercados para o escoamento da produção coletiva é um caminho possível para o grupo que está organizado em cooperativa”, compartilhou Klein.
Avaliar as possibilidades de mercado e preparar a produção para atender a demanda é crucial, mas entender as necessidades dos públicos também é uma tarefa importante. Pensando nisso, a APA-TO tem desenvolvido oficinas nas escolas públicas para ensinar os estudantes a fazer receitas com o mesocarpo de babaçu.
Nessas atividades uma pergunta é respondida: ‘qual a sua merenda favorita?’. O resultado dessa pergunta foi utilizado pela Carina Müller no segundo dia do Seminário. Ela preparou panquecas com geleia de cupuaçu como exemplo de uso do mesocarpo para que as nutricionistas das escolas pudessem provar e comprovar que é possível incluir no cardápio o prato favorito dos alunos com sabores regionais.
O mingau de babaçu com o leite e a farinha do coco também foi apresentado com a receita e o modo de preparo. Já os bolos e os biscoitos foram servidos como lanche aos participantes do seminário enquanto acompanhavam a chef produzir. A aprovação foi unânime, de técnicos a quebradeiras de coco, de nutricionistas a agricultores familiares, todos ficaram encantados com possibilidades.
“O bolo recheado com geleia de cupuaçu ficou bom demais”, disse Francisca Pereira Vieira, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu e diretora da Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB). “O mingau estava incrível, bem diferente do que nós costumamos comer, mas muito bom igual”, disse a assessora Elizete Araújo.
Os dois dias de atividades foram avaliados de forma positiva pelos participantes. O pedido das nutricionistas é de que se repita a cozinha show com as merendeiras nas escolas. Ficou então acordado e assinado a -parceria entre APA-TO; Asmubip; CIMQCB; Cooaf-Bico; Conab; Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFTO) campus Araguatins; SER; Secretarias de Educação dos municípios de Axixá e de São Miguel do Tocantins.
O Seminário recebeu a participação da Associação dos Agricultores Familiares do Projeto de Assentamento Amigos da Terra (Agrifat); Associação de Agricultores Familiares, Agroindustriais e Extrativistas do estado do Tocantins (Agrop); Central do Cerrado; Grupo Pindova; GT das Juventudes Rurais do Bico; Instituto Valéria Paschoal; Conselho Estadual da Alimentação Escolar; Ruraltins; Secretaria Municipal de Educação de Buriti.

