Iniciativa apresenta Carta-Compromisso com oito propostas para proteção das águas, dos territórios, da biodiversidade e dos direitos dos povos do Cerrado
Articulada pela sociedade civil e apoiada no Tocantins, a Campanha #VotePeloCerrado surge como uma mobilização que busca inserir o futuro do bioma e de seus povos no debate das eleições de 2026. A iniciativa apresenta uma Carta-Compromisso dirigida a candidatas e candidatos aos Poderes Executivo e Legislativo, nos âmbitos federal e estadual, com oito propostas para orientar programas de governo e atuação parlamentar.
A Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, uma das organizações apoiadoras da campanha, ressalta a necessidade de se debater a conservação no estado, especialmente frente à crise climática. “O Cerrado é de uma riqueza enorme, é fonte de água pro campo e pra cidade e alimenta muitas famílias, então reforçamos que precisamos de representantes que compreendam os riscos que enfrentamos com a devastação e o envenenamento ao meio ambiente”, relata Janykelle Ribeiro, secretária-executiva da rede de organizações.
A iniciativa convida eleitores e candidatos a conhecerem os temas que definem o futuro do bioma no site votepelocerrado.org.br. A campanha é digital e a hashtag #VotePeloCerrado vai guiar as publicações no Instagram nos perfis de pelo menos 6 organizações @ispn_brasil, @rede.cerrado, @institutocerrados, @funatura, @cptnacional, @campanhacerrado além da adesão de influenciadores digitais que colocam sua voz para falar do Cerrado.
Bioma estratégico para o Brasil
O Cerrado é considerado o coração das águas do Brasil. Suas nascentes alimentam algumas das principais regiões hidrográficas do país, entre elas a do Amazonas, Araguaia/Tocantins, São Francisco e Paraná/Paraguai. No entanto, estudos mostram que mais da metade da vegetação nativa do Cerrado já foi desmatada e os rios enfrentam 27% de redução na vazão, o que também afeta a economia, bem como o acesso à água e alimentação. Por isso, a Carta-Compromisso afirma que a proteção do bioma é também uma questão de direitos humanos.
“O Cerrado é um bioma estratégico para o Brasil. Além de ser o coração das águas, 42% da produção agrícola nacional está aqui. No entanto, o ritmo da conversão do Cerrado em monocultivos está muito acelerado e ameaça a viabilidade da própria produção agrícola. Precisamos eleger parlamentares que compreendam essa importância e não tenham uma visão imediatista que pode comprometer o nosso futuro”, ressalta a coordenadora do Programa Cerrado do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Isabel Figueiredo.
Além da importância hídrica e ambiental, o Cerrado é território de povos e comunidades tradicionais que historicamente protegem seus bens naturais e desenvolvem formas próprias de viver e produzir. Sua biodiversidade também sustenta cadeias econômicas ligadas à sociobiodiversidade.
“Para os povos do Cerrado, a economia não se separa de território, cultura e conservação. É da floresta e do campo conservados que vêm o pequi, o baru, o babaçu, o buriti, o artesanato, os alimentos e tantas atividades que geram renda sem destruir o bioma. As eleições precisam colocar no centro políticas que fortaleçam a agricultura familiar, a agroecologia e a sociobiodiversidade, garantindo território, assistência técnica, crédito e acesso a mercados, ressalta a secretária executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira.
A preservação do bioma é fundamental para garantir as condições necessárias à própria produção agropecuária. Para o diretor executivo do Instituto Cerrado, Yuri Salmona, “O Cerrado é um insumo. Não há agricultura responsável sem preservar o bioma: o desmatamento compromete a previsibilidade climática, a disponibilidade de água e os habitats de polinizadores fundamentais para diversos cultivos”.
Conheça a Carta-Compromisso e as oito propostas: votepelocerrado.org.br


