Documento protocolado em março conclui que hipótese criminal atribuída ao advogado não foi confirmada por provas digitais
Relatório parcial da Polícia Federal protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 23 de março de 2026 concluiu que a principal hipótese criminal atribuída ao advogado Thiago Barbosa, sobrinho do governador do Tocantins, não foi confirmada pelos elementos reunidos durante a investigação das Operações Sisamnes e Maximus.
Preso em março de 2025 sob acusação de envolvimento em suposto vazamento de informações sigilosas, Thiago permaneceu por quatro meses na Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPPP). Mais de um ano após a operação, não há denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o advogado.
O relatório é assinado pelo delegado federal Janderlyer Gomes de Lima, da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores, e aponta que a linha investigativa inicialmente construída contra Thiago perdeu força após análise técnica das provas digitais.
Segundo o documento, a tese de que o advogado operava uma rede permanente de monitoramento de informações sigilosas foi relativizada ao longo da apuração.
“A hipótese criminal de que Thiago Barbosa operava uma rede de monitoramento ininterrupta e detinha amplo acesso a dados sigilosos foi enfraquecida e relativizada pelos elementos de prova digital colhidos. Embora existam indícios de acesso a documentos específicos, a tese de um monitoramento ‘24 horas por dia’ parece, sob a ótica investigativa atual, mais próxima de uma estratégia comercial ou ‘bravata’ levada a cabo pelo investigado do que de uma realidade operacional plena”, registra o relatório.
A prisão de Thiago foi decretada pelo ministro Cristiano Zanin em 13 de março de 2025, no âmbito da PET 13.546 (Inquérito 5022). Na mesma operação também foram presos o então prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, e o pai do advogado.
Thiago deixou a prisão em 18 de maio de 2025
O documento enviado ao STF também informa que o foco da investigação foi redirecionado ao longo das diligências.
“Em que pese a diminuta dialeticidade empregada na coleta de prova, as oitivas empreendidas e o cotejo das evidências digitais deslocaram o centro gravitacional da investigação, até então focada em Thiago Barbosa, José Eduardo Siqueira Campos, no advogado Michelangelo e, de forma mais pontual, no analista da PGR Felipe Wagner”, aponta o texto.
Outro trecho do relatório destaca que os metadados dos arquivos encontrados com o advogado indicam que os documentos foram salvos em seu computador somente após a deflagração das operações. No caso da Operação Maximus, segundo a PF, o armazenamento ocorreu após a concessão formal de vistas aos investigados e advogados habilitados.
“A despeito de ter afirmado em diálogo com o desembargador Helvécio que tinha contato com uma equipe que monitorava o STJ, os metadados dos arquivos localizados em sua posse revelam que só foram salvos em seu computador de trabalho em data posterior à deflagração das fases ostensivas”, registra o relatório.
A conclusão parcial da Polícia Federal aponta, portanto, para o enfraquecimento da tese que embasou a prisão preventiva do advogado. O inquérito segue em tramitação no STF.

