spot_img
- Publicidade -
InícioGeralNovo assentamento da reforma agrária em Marianópolis consolida cinturão agroecológico na APA...

Novo assentamento da reforma agrária em Marianópolis consolida cinturão agroecológico na APA Cantão

Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática celebra conquista popular de acesso à terra para a produção de alimentos

O Diário Oficial da União publicou nessa terça-feira, 3 de fevereiro, a Portaria nº 1.626, que marca uma vitória histórica para a reforma agrária e para o acesso à terra no Brasil: a criação formal do Projeto de Assentamento (PA) Beatriz Bandeira. Localizado no município de Marianópolis, o território de 971,5820 hectares foi obtido por arrecadação e destinado ao sustento de 88 famílias camponesas. 

A conquista, fruto da força coletiva e da organização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, também é comemorada pela Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, rede de organizações que entendem a garantia à terra e aos territórios como eixo fundamental para a proteção do Cerrado e para a prosperidade socioambiental. 

As famílias, acampadas desde 2023, inicialmente às margens da rodovia TO-080, passaram a privações severas, como a falta de água potável e serviços públicos, abandono governamental e a violência territorial, que teve pico em 2025, levando até bebês a serem detidos na Delegacia de Paraíso do Tocantins. 

Diante da repressão, denunciada ao Ministério Público e ao Governo Federal, o grupo resistiu graças à solidariedade camponesa e ao apoio de entidades como o Centro de Direitos Humanos de Cristalândia e a Igreja Católica, que publicaram notas de solidariedade e se mobilizaram em favor dos acampados. A resistência também contou com o apoio vital de famílias assentadas do PA Onalício Barros, em Caseara, reafirmando que a luta pela terra é um compromisso coletivo indissociável da proteção ambiental.

Ana Lúcia, militante do MST que acompanhou toda a resistência, comemora a conquista. “Hoje é um dia de muita alegria e celebração pela terra que é de direito do nosso povo. Após mais de dois anos de perseguições, ameaças e descaso, vemos a felicidade no olhar de cada jovem, criança e idoso. Essa vitória prova que vale a pena resistir coletivamente. Nossa luta é legítima, inegociável e não recuamos diante das violações. Seguimos com o compromisso fiel de cuidar da natureza, democratizar o acesso à terra e produzir o alimento que dá vida, garantindo comida de verdade para quem está na cidade”, conta. 

Com a oficialização do projeto, o INCRA está autorizado a iniciar imediatamente a seleção das famílias beneficiárias pelo Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). 

Cinturão agroecológico

Situado estrategicamente entre municípios como Divinópolis do Tocantins e Caseara, próximo a outros assentamentos, o Assentamento Beatriz Bandeira nasce como mais uma barreira contra modelos de produção predatórios e baseados na destruição da vegetação nativa na Área de Proteção Ambiental Ilha do Bananal/Cantão (APA Cantão). A conquista em Marianópolis reforça que o sustento das famílias – com biodiversidade e agroecologia – e a preservação do Cerrado caminham juntos, consolidando a reforma agrária como pilar da justiça socioambiental.

- Publicidade -spot_img
Não perca
Notícias relacionadas