Qual seria a motivação de Eudes Assis em conceder tal honraria ao pretenso pré-candidato a presidente do Brasil?
Na sessão ordinária da terça-feira, 5, o vereador Eudes Assis (PSDB) apresentou um projeto de lei que propõe conceder o Título de Cidadão Palmense ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A proposta segue agora para análise dos demais parlamentares da Câmara Municipal.
O anúncio, no entanto, provocou surpresa e críticas. Afinal, a honraria é tradicionalmente destinada a personalidades que tenham prestado relevantes serviços à capital tocantinense ou ao Estado do Tocantins. Nesse sentido, surgem os questionamentos: o que Flávio Bolsonaro fez de concreto por Palmas ou pelo Tocantins para merecer tal reconhecimento?
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — atualmente preso —, é pré-candidato à Presidência da República. Sua trajetória política está fortemente vinculada ao Rio de Janeiro, onde construiu sua carreira e base eleitoral, com um histórico de escândalos que vão de rachadinhas a envolvimento com milícias. Até o momento, não há registros de ações diretas do senador em benefício da população palmense ou de políticas públicas voltadas ao Tocantins.
Diante disso, analistas e cidadãos levantam hipóteses sobre a motivação do vereador Eudes Assis ao apresentar o projeto. Para muitos, a iniciativa pode estar mais relacionada a alinhamentos políticos e ideológicos do que a méritos concretos. A proposta, portanto, abre espaço para o debate sobre o uso de títulos honoríficos como instrumentos de projeção política, em vez de reconhecimento genuíno de serviços prestados.
Vale lembrar que recentemente a CCJ da Câmara rejeitou a proposta de conceder o título de cidadão palmense ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que inegavelmente tem um legado na cidade e no estado nas áreas da educação, moradia, infraestrutura e inclusão energética.
A Câmara Municipal terá agora a responsabilidade de avaliar se a concessão do título atende ao espírito da honraria ou se se trata de um gesto meramente político. Enquanto isso, a sociedade palmense observa com atenção e crítica, questionando se a cidade deve, de fato, inscrever o nome de Flávio Bolsonaro em sua galeria de cidadãos honorários.
E, se o fizer, quais seriam os motivos….

