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Ministério Público cobra regularização de unidades de saúde com falhas estruturais em Aliança do Tocantins

Problemas incluem ausência de equipamentos, precariedade física e risco aos usuários do SUS

A persistência de falhas estruturais e assistenciais em unidades básicas de saúde de Aliança do Tocantins levou o Ministério Público do Tocantins (MPTO) a ingressar com Ação Civil Pública (ACP) para exigir a adequação dos serviços e garantir condições mínimas e seguras de atendimento à população.

A medida foi proposta pela 6ª Promotoria de Justiça de Gurupi e tem como alvo a Unidade Básica de Saúde (UBS) David Araújo e a UBS Jardim Aliança. De acordo com o MPTO, inspeções técnicas realizadas ao longo dos últimos anos identificaram uma série de irregularidades que comprometem tanto a qualidade da assistência quanto a segurança de pacientes e profissionais.

Problemas persistem desde 2022

Segundo o promotor de Justiça Marcelo Lima, as falhas começaram a ser apuradas em 2022, após relatórios do Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM/TO) apontarem deficiências no funcionamento das unidades. A partir disso, o Ministério Público instaurou inquéritos civis públicos, requisitou informações à gestão municipal e expediu recomendações administrativas para correção dos problemas.

Apesar das medidas, as respostas apresentadas pelo município foram consideradas insuficientes. Segundo o MPTO, muitas providências ficaram restritas a promessas ou processos licitatórios em andamento, sem comprovação efetiva de melhorias nas unidades.

Vistorias recentes confirmam cenário crítico

Novas inspeções realizadas em 2025 confirmaram a permanência e, em alguns casos, o agravamento das irregularidades.

Na UBS David Araújo, foram constatadas condições estruturais inadequadas, com necessidade urgente de reforma e ampliação. Também foram identificadas falhas sanitárias, ausência de equipamentos essenciais para emergências, falta de medicamentos básicos e inexistência de alvará do Corpo de Bombeiros.

Já na UBS Jardim Aliança, o cenário inclui funcionamento sem regularização junto ao Conselho Regional de Medicina, ausência de responsável técnico formalizado e carência de itens básicos para o atendimento, como equipamentos, insumos e medicamentos indispensáveis em situações de urgência.

As vistorias também apontaram problemas de acessibilidade, como falta de sinalização adequada, além de deficiências na estrutura física, iluminação e organização dos espaços.

Risco à população

Para o Ministério Público, as irregularidades configuram violação ao direito fundamental à saúde, garantido pela Constituição Federal. A precariedade das unidades, segundo a ação, expõe usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) a riscos e compromete a prestação de um serviço essencial.

O MPTO destaca ainda que cabe ao município, como gestor local do SUS, assegurar o funcionamento adequado das unidades de atenção básica, com estrutura física compatível, equipamentos suficientes, insumos disponíveis e condições sanitárias adequadas.

Tentativas de solução sem resultado

Antes de recorrer à Justiça, o Ministério Público tentou solucionar a situação por meio de medidas extrajudiciais, incluindo a expedição de recomendações e a proposta de celebração de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

No entanto, conforme relatado na ação, não houve comprovação de que as irregularidades tenham sido efetivamente sanadas, o que motivou o ajuizamento da ACP.

Pedido à Justiça

Na ação, o MPTO requer que o município seja obrigado a adotar providências para regularizar o funcionamento das unidades, garantindo condições adequadas de atendimento à população.

Além disso, também é apontada a possibilidade de responsabilização por dano moral coletivo, em razão dos impactos causados à comunidade que depende exclusivamente do serviço público de saúde.

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