“Sepse é uma emergência. Reconhecer os sinais e procurar atendimento rapidamente pode salvar vidas”
Uma infecção comum pode se tornar grave quando o organismo reage de forma desregulada, afetando órgãos e colocando a vida em risco. Esse quadro é conhecido como sepse, um problema mundial de saúde que exige diagnóstico e tratamento rápidos. Lanessa Áquyla Pereira, especialista em Clínica Médica do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil) aborda o tema e fala sobre os cuidados necessários em relação a sepse.
Estimativas divulgadas pelo Ministério da Saúde apontam que cerca de 400 mil adultos e 42 mil crianças desenvolvem sepse por ano no Brasil. Lanessa destaca que essa condição pode surgir a partir de diferentes tipos de infecção, quando o organismo reage de forma muito intensa a ponto de começar a prejudicar o funcionamento dos próprios órgãos.
“As infecções mais comuns que causam sepse são as pulmonares, como a pneumonia, as infecções urinárias, abdominais e de pele. Mas, na verdade, qualquer infecção mais grave pode evoluir para sepse”, pontua a especialista.
A organização Mundial da Saúde (OMS), estima que cerca de 49 milhões de pessoas desenvolvem sepse anualmente e aproximadamente 11 milhões morrem em consequência da doença, o equivalente a cerca de 20% de todas as mortes globais. Estudos nacionais também mostram que aproximadamente um terço dos leitos de UTI, no Brasil é ocupado por pacientes com sepse, evidenciando o impacto da doença no sistema de saúde.
É importante compreender que a expressão “infecção generalizada” é frequentemente utilizada para explicar a sepse, porém o termo não descreve corretamente o quadro de sepse. Além disso, Lanessa destaca que alguns grupos apesentam maior propensão de desenvolver sepse.
“Idosos, crianças pequenas, pessoas com baixa imunidade, pacientes com câncer ou outras doenças crônicas. Mas, é importante lembrar que a sepse também pode acontecer em pessoas que antes eram saudáveis”. Neste sentido, a especialista acrescenta que, embora não haja ações preventivas, algumas práticas ajudam a evitar o desenvolvimento do problema.
“Manter as vacinas em dia, cuidar corretamente de feridas, manter uma boa higiene e procurar atendimento quando uma infecção apresenta sinais de piora. E, o principal cuidado é: não subestimar uma infecção”, alerta.
Por isso, é importante ter atenção com alguns sinais, a exemplo de piora no estado geral de saúde, confusão mental, muita sonolência, falta de ar, pressão baixa ou redução da quantidade de urina.
Nessas situações é imprescindível procurar atendimento médico rapidamente, pois o tempo é crucial. “Sepse é uma emergência. Reconhecer os sinais e procurar atendimento rapidamente pode salvar vidas”.


