Projeto desenvolvido em Gurupi beneficia 27 famílias e impacta diretamente a vida de aproximadamente 260 pessoas na Associação Micro Jandira
O Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), tem fortalecido a cadeia produtiva da mandioca e ampliado oportunidades para agricultores familiares por meio de investimentos em pesquisa, inovação e estrutura produtiva. Em Gurupi, o apoio concedido por meio do edital Fapt/Seagro de Pesquisa Agropecuária contribuiu para ampliar a produção, agregar valor aos derivados da mandioca e fortalecer a geração de renda na Associação Micro Jandira.
Localizada a 12 km de Gurupi, a associação reúne 27 famílias agricultoras e transformou a produção tradicional em uma atividade que movimenta a economia local e garante sustento para aproximadamente 260 pessoas.
Farinha de puba temperada com coco, bolo mané pelado, paçoca de carne de sol e outros derivados mantêm viva a identidade alimentar tocantinense e representam, atualmente, uma importante fonte de renda para as famílias da comunidade.
À frente da associação está o presidente Jorge Cabral da Luz, que destaca o papel da mandioca na economia local. “Essa é a nossa sobrevivência. Nós vivemos da produção da mandioca. Vendemos para escolas estaduais e municipais, para comunidades indígenas e também para os municípios da região”, afirma.
O trabalho desenvolvido pela associação ganhou novo impulso com os projetos Casa de Farinha na Associação Micro Jandira Gurupi, Importância do Uso das Técnicas de Cultivo na Implantação e Condução de Lavoura de Mandioca Tratada com Arbolina e Marketing Estratégico para Arranjo Produtivo Local da Agroindústria da Mandioca da Associação Micro Jandira Gurupi.
As iniciativas foram contempladas no edital Fapt/Seagro de Pesquisa Agropecuária e integram as ações do Arranjo Produtivo Local (APL) da Mandioca. Juntas, contribuíram para fortalecer diferentes etapas da cadeia produtiva e ampliar significativamente a produção de farinha, que passou de cerca de 120 para aproximadamente 600 litros por semana.
O incentivo da Fundação possibilitou a aquisição de equipamentos, ampliou a capacidade de processamento da mandioca e fortaleceu a agricultura familiar na região. “O projeto Casa de Farinha foi apresentado para a Fapt e aprovado. Com esse financiamento, conseguimos aplicar o APL da mandioca aqui na comunidade. Hoje em dia, estamos apresentando os resultados desse investimento”, destaca Jorge Cabral.
Arranjo Produtivo Local da Mandioca – APL Jandira
O Arranjo Produtivo Local da Mandioca – APL Jandira reúne a Prefeitura de Gurupi, a Universidade de Gurupi (UnirG), a Universidade Federal do Tocantins (UFT), o Instituto Federal do Tocantins (IFTO), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), o Banco do Brasil e o Instituto Centro de Desenvolvimento Regional Sul do Tocantins para fortalecer a cadeia produtiva da mandioca, ampliar o acesso dos produtores à pesquisa, à assistência técnica e a novos mercados.
Atuação do CDR Sul
A iniciativa conta ainda com a atuação do Centro de Desenvolvimento Regional Sul do Tocantins (CDR Sul), que articula instituições de ensino superior e de ciência, tecnologia e inovação com atores locais dos setores público, produtivo e acadêmico para integrar ações voltadas ao desenvolvimento regional por meio da Rede de Desenvolvimento Regional do Tocantins (Rede Deser).
A Rede Deser é uma iniciativa do Governo do Tocantins, articulada pela Fapt, que reúne universidades, instituições de ciência e tecnologia, setor produtivo e comunidades para identificar desafios locais e apoiar soluções ligadas à realidade de cada região.
O programa busca fortalecer o desenvolvimento regional por meio da estruturação de quatro Centros de Desenvolvimento Regional (CDRs): Centro, Médio Norte, Bico do Papagaio e Sul.
Projeto Casa de Farinha
Com financiamento da Fapt, por meio do edital Fapt/Seagro de Pesquisa Agropecuária, o projeto promoveu a modernização da Casa de Farinha da Associação Micro Jandira. Entre os equipamentos disponibilizados estão ralador e triturador automático de mandioca, conchos para armazenamento de massa e farinha, mesa e tanque industrial em inox e balança digital. Além do maquinário, os produtores receberam capacitações em boas práticas de fabricação, higiene, embalagem e comercialização.
Segundo o coordenador do projeto, professor e doutor em Fitotecnia, Manoel dos Santos, a iniciativa surgiu das demandas apresentadas pela própria comunidade. “Surgiu após visitas à associação e dos associados comentarem a respeito da industrialização do processo produtivo da produção de farinhas e derivados, aumentar a renda das famílias ali presentes”, explica.
Para o pesquisador, os resultados demonstram como inovação e tecnologia impactam diretamente a vida dos produtores. “Vejo com bons olhos, pois aumentou a renda das famílias. Se vê alegria nos associados, pois lidar com a produção de farinhas ficou um serviço menos cansativo”, afirma.
Cultivo e comercialização ganham reforço
Entre as iniciativas contempladas pelo edital está o projeto Importância do Uso das Técnicas de Cultivo na Implantação e Condução de Lavoura de Mandioca Tratada com Arbolina, inicialmente coordenado pelo pesquisador Marcelo Terra e, posteriormente, assumido por Luziano Lopes da Silva.
Já o projeto Marketing Estratégico para Arranjo Produtivo Local da Agroindústria da Mandioca da Associação Micro Jandira Gurupi, coordenado por Márllos de Melo, teve como foco ampliar a divulgação dos produtos e fortalecer as oportunidades de comercialização.
Produção cresce cinco vezesCom a modernização da estrutura, a associação ampliou a área de cultivo e passou a produzir com mais eficiência e qualidade. “Depois que a Fapt financiou, compramos equipamentos, aumentamos a roça de mandioca e também as vendas. O produto ficou com melhor qualidade e conseguimos alcançar mais mercados”, conta presidente Jorge Cabral.Atualmente, a produção chega a aproximadamente 600 litros de farinha por semana, cinco vezes superior ao volume registrado antes da modernização. A produção abastece Gurupi e outros municípios da região, como Cariri, Sucupira, Formoso do Araguaia e Dueré.
Qualidade de vida e desenvolvimento
As mudanças também transformaram a rotina das famílias. “Nós melhoramos cerca de 90% da nossa qualidade de vida. Melhorou a produção, a higiene, a organização e também a parte financeira. Agora, está bem melhor”, afirma Jorge Cabral.Pelo segundo ano consecutivo, em 2026, a associação participou da Agrotins com apoio da Fundação, apresentando os resultados construídos dentro da própria comunidade.
Para o presidente da Fapt, Gilberto Ferreira, os resultados mostram o impacto da ciência aplicada ao desenvolvimento regional. “É gratificante ver que um apoio à pesquisa e à inovação se transforma em algo concreto para as famílias. Hoje, os produtores têm melhores condições de trabalho, aumentaram a produção e conseguiram ampliar seus mercados. Esse é o tipo de resultado que demonstra como a ciência pode contribuir para o desenvolvimento do Tocantins”, afirma.
Ao relembrar a trajetória da associação, Jorge Cabral ressalta que os resultados alcançados são fruto da confiança depositada no grupo desde o início. “Aqui, estamos mostrando o que conseguimos produzir. E tudo isso começou quando acreditaram no nosso trabalho”, pontua.

