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MPTO aciona Justiça para suspender terceirização de Unidades de Pronto Atendimento em Palmas

Promotores apontam indícios de ilegalidades em processo que prevê terceirização e que pode aumentar gastos públicos em até 800%

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) se manifestou, nessa segunda-feira, 6, em uma Ação Popular que questiona a contratação de uma entidade privada para gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul de Palmas. Na manifestação, o órgão aponta indícios relevantes de ilegalidades no processo e defende a suspensão imediata dos atos administrativos relacionados à contratação.

A atuação ocorre como fiscal da ordem jurídica, diante do impacto direto da medida sobre a saúde pública e o interesse coletivo. A ação contesta a Portaria nº 766/2025 e o Processo Administrativo que autorizam a celebração de Termo de Colaboração entre a Prefeitura de Palmas e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, organização social que deveria assumir a gestão das unidades na próxima segunda-feira, 13. 

O contrato em análise prevê a transferência da gestão das unidades para uma organização social, com valor estimado em mais de R$139 milhões por ano, podendo alcançar cerca de R$ 700 milhões ao longo de cinco anos. Os valores representam um aumento de até 800% em relação a custos anteriores sem ampliação proporcional dos serviços.

Pontos levantados

Entre os pontos levantados pelos promotores de Justiça Vinícius de Oliveira e Silva e Rodrigo Grisi Nunes estão a ausência de chamamento público regular, questionamentos sobre a idoneidade da entidade escolhida e possíveis inconsistências no processo administrativo que fundamenta a contratação. Segundo a manifestação do MPTO, a organização social possui histórico de sete contas rejeitadas no Tribunal de Contas de São Paulo.

Os promotores de Justiça também chamam atenção para a falta de participação do Conselho Municipal de Saúde na deliberação sobre a mudança na gestão das unidades, etapa considerada obrigatória nas políticas do Sistema Único de Saúde (SUS) é essencial para garantir o controle social.

Outro aspecto apontado é a possível incompatibilidade entre os valores previstos para o contrato e o orçamento público aprovado, além de questionamentos sobre o planejamento da medida.

Concurso público em vigência

Outro ponto sensível é a justificativa de urgência para a terceirização, apesar da existência de concurso público vigente na área da saúde, com grande número de candidatos aprovados não convocados e ainda um amplo cadastro reserva formado. 

Há ainda relatos de falta de transparência, uma vez que o processo era apresentado como em fase de estudo, enquanto decisões já estariam tomadas e recursos empenhados, incluindo a liberação antecipada de mais de R$11 milhões.

Soma-se a isso o risco apontado para a qualidade do atendimento, diante de possíveis mudanças nas condições de trabalho dos profissionais.

Diante dos indícios apresentados, o Ministério Público se posicionou favoravelmente ao pedido de concessão de medida liminar para suspender os efeitos dos atos administrativos questionados, incluindo eventual assinatura do contrato.

O MPTO também destaca que a suspensão não compromete a prestação do serviço, uma vez que as unidades já vêm sendo atendidas por servidores públicos municipais.

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