Apesar do discurso de unidade, a entrada de Amastha não foi bem recebida por integrantes próximos ao governador Wanderlei Barbosa
A adesão do ex-prefeito de Palmas, Carlos Amastha, à base política da senadora Professora Dorinha (União Brasil) provocou forte reação nos bastidores da política tocantinense e escancarou um clima de tensão entre grupos aliados ao governador Wanderlei Barbosa (Republicanos).
O movimento foi oficializado na quinta-feira, 2, durante encontro liderado pelo vice-presidente do Senado e presidente do PL no Tocantins, Eduardo Gomes, quando Amastha anunciou a retirada de sua pré-candidatura ao governo do Estado para apoiar o projeto encabeçado por Dorinha. No mesmo ato, o vereador de Araguaína, Lucas Campelo, também declarou apoio ao grupo.
A articulação foi celebrada por Eduardo Gomes como um gesto de “convergência política”, destacando a experiência administrativa de Amastha e sua contribuição para o desenvolvimento de Palmas. “É uma construção coletiva, com diálogo e responsabilidade”, afirmou o senador, ao reforçar a defesa de uma campanha baseada em propostas, sem ataques pessoais.
Reação pública expõe insatisfação
Apesar do discurso de unidade, a entrada de Amastha não foi bem recebida por integrantes próximos ao governador Wanderlei Barbosa. A insatisfação veio à tona de forma pública por meio de Goianyr Barbosa, cunhado do governador, que reagiu duramente à aliança.
Em comentários feitos após entrevista da senadora Dorinha, Goianyr criticou a forma como Amastha foi apresentado politicamente: “Eu não suportei ver ela chamá-lo de um homem de visão de estadista. […] Ele é um golpista, que está muito distante desse termo”, afirmou.
Na mesma manifestação, Goianyr acusou Amastha de ter articulado movimentos políticos contrários tanto a Wanderlei quanto ao prefeito Eduardo Siqueira em momentos anteriores, reforçando a desconfiança dentro do grupo governista.
“Tramou contra Wanderlei, tramou contra Eduardo. […] Eu não acredito que Wanderlei suba num palanque junto com Amastha”, declarou.
A fala evidencia um possível racha interno e levanta dúvidas sobre a viabilidade de uma composição política ampla envolvendo figuras que, historicamente, estiveram em lados opostos.
Amastha defende união e articulação nacional
Durante o evento, Amastha justificou sua decisão como estratégica, destacando a necessidade de união política e fortalecimento do Tocantins no cenário nacional.
“Quero eleger alguém que trabalha 24 horas. O Eduardo vai ser presidente do Senado, a pessoa mais articulada do Brasil. Vamos colocar o Estado no rumo que merece”, afirmou.
O ex-prefeito também sinalizou alinhamento com o projeto de Dorinha, que vem sendo construída como alternativa ao atual grupo no poder, apostando em experiência legislativa e capacidade de gestão.

