Vagas foram ampliadas de 50 para 75 após quase 300 inscrições. Farão parte da ação, educadores de 14 estados e 53 municípios brasileiros
O projeto goiano Maria da Penha nas Escolas divulgou o resultado do processo seletivo para o curso on-line que será realizado no próximo dia 29 de abril para educadores de todo o país e duas educadoras do Tocantins estão entre os 75 selecionados. As professoras Tatiana Luiza Souza Coelho, de Palmas, e Ilma Francisca Mendes dos Reis, de Paraíso do Tocantins, estão entre os nomes escolhidos. O curso vai explicar como abordar a Lei Maria da Penha em ambiente escolar, além de auxiliar na identificação de sinais de violência (física, psicológica, moral, sexual e patrimonial) e direcionar os fluxos de acolhimento dentro da escola.
No total, 50 vagas haviam sido abertas, mas o número foi ampliado para 75 após o número de inscrições chegar a 289. Farão parte da ação, profissionais da educação de 14 estados e 53 municípios brasileiros. A lista está disponível no site da Skambau: https://skambau.com.br/projetos/maria-da-penha-nas-escolas-formacao-gratuita-para-profissionais-da-educacao/
No último dia 25 de março, os ministérios da Educação (MEC) e das Mulheres assinaram a portaria de regulamentação da Lei Maria da Penha Vai à Escola (nº 14.164/2021), para incluir conteúdo sobre a prevenção a todas as formas de violência contra crianças, adolescentes e mulheres nos currículos da educação básica. A lei determina que a produção de material didático relativo aos direitos humanos e à prevenção da violência contra a mulher deve ser adequada a cada nível de ensino. O trabalho, já feito pelo projeto goiano, agora será realidade nacional.
“Antes mesmo da regulamentação federal, nosso projeto já atuava na ponta, construindo metodologias próprias, formando educadores e distribuindo materiais didáticos acessíveis. Não somos seguidores de uma política pública — somos seus construtores antecipados”, acrescenta a idealizadora da Skambau Produções, que fundou e realiza o Projeto Maria da Penha nas Escolas, Manoela Barbosa.
O projeto nasceu em 2016 e utiliza literatura infantil em quadrinhos para conscientizar crianças. No total, já distribuiu mais de 65 mil exemplares em 77 cidades de cinco estados brasileiros. No último mês de março, uma caravana do projeto percorreu 12 cidades goianas e distribuiu 20.250 exemplares. Foram envolvidos mais de 8 mil alunos e professores em 50 atividades presenciais. As ações também englobaram mulheres da agricultura familiar.
O livro em quadrinhos que tem como público crianças a partir de 10 anos traz a história da farmacêutica cearense que deu nome à Lei e se tornou símbolo na luta contra a violência. Além da versão colorida para alunos e profissionais de Educação, o projeto conta com uma versão do livro em tamanho ampliado e braille para pessoas com deficiência visual. Em 2026, o projeto foi realizado com recursos do Programa Goyazes 2025 do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e patrocínio da Equatorial Energia. A Viação Carvalho foi responsável pela logística de transporte.
Manoela reforça a importância de falar sobre violência contra a mulher e de realizar as ações com crianças, adolescentes, com professores e também com mulheres da agricultura familiar. “Apenas no primeiro semestre de 2025, o Mapa da Violência apontou uma média de 187 estupros por dia no Brasil. Além disso, foram mais de 1.400 casos de feminicídio segundo o Mapa da Segurança Pública de 2025. São pelo menos quatro mulheres mortas por dia. Os números são crescentes e alarmantes”, completa.
Em todo o país, 71% das agressões ocorreram na frente de outras pessoas, incluindo crianças. As vítimas, por sua vez, são em maioria, mulheres jovens com idades entre 25 e 34 anos (21%). Além disso, a maior parte dos casos de feminicídio (64,3%) ocorreu dentro de casa. “Se 71% das agressões acontecem na frente de outras pessoas — e 64,3% dos feminicídios dentro de casa —, a criança e o adolescente são testemunhas privilegiadas da violência. A escola é, muitas vezes, o único espaço seguro onde esse ciclo pode ser rompido. Formar profissionais da educação é, portanto, uma medida de proteção à infância e à juventude”, afirma Manoela.
Quem são as pessoas selecionadas?
A lista de selecionados foi construída com base em critérios de trajetória profissional, atuação em territórios prioritários (especialmente municípios goianos ainda não alcançados presencialmente) e diversidade regional – reúne profissionais da educação básica à gestão pública, de escolas públicas e redes municipais/estaduais. Há desde professoras(es) em sala de aula, coordenadoras(es) pedagógicas(os), gestoras(es) escolares, psicólogas(os) escolares, assistentes sociais, merendeiras, auxiliares de higiene e alimentação, até uma bolsista Pibid em Licenciatura em História (Pará) e uma secretária municipal de Igualdade Racial e da Mulher (Cavalcante – GO). Essa pluralidade de olhares é o que tornará a formação verdadeiramente encarnada na realidade escolar brasileira.
Destaques de pertencimento territorial
Algumas cidades goianas contempladas que não haviam recebido a etapa presencial da caravana (e agora entram com força na formação remota): Araguapaz, Porteirão, Inhumas, São Luís de Goiás, Faina, Padre Bernardo, Cidade Ocidental, Rubiataba, Jataí, Cavalcante, Jaraguá, Alexânia, Mambaí, Água Fria de Goiás, Orizona, Santo Antônio do Descoberto, Itaberaí, Caldas Novas, Campos Belos, Monte Alegre de Goiás, entre outras.
Além disso, a formação alcançará também Estados com forte demanda histórica por políticas de gênero nas escolas, como Ceará (Icó), Bahia (Juazeiro), Pernambuco (Recife), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul e Rio Grande), Paraná (Japira), Tocantins (Paraíso do Tocantins e Palmas), Mato Grosso (Várzea Grande), Minas Gerais (Montes Claros), Rio de Janeiro (Niterói), Distrito Federal (Brasília e Águas Claras) e Pará.
Por que essa formação é urgente?
A formação do nosso projeto Maria da Penha nas Escolas é um compromisso ético com a proteção de meninas e mulheres no ambiente escolar. Educadores capacitados salvam vidas, rompem ciclos de silêncio e fortalecem redes de proteção. Cada pessoa selecionada é, agora, um ponto de apoio multiplicador em seu território.
Novas vagas serão abertas?
Não haverá nova ampliação de vagas nesta edição, mas novas turmas serão anunciadas em breve por meio dos canais da @skambauproducoes.

