Gesto sinaliza resistência interna e pode acirrar disputas dentro da legenda, com reflexos diretos nas articulações para outubro
A ex-prefeita de Palmas e presidente nacional do PSDB Mulher, Cinthia Ribeiro, anunciou nesta terça-feira, 14 de abril que continuará filiada ao PSDB, mesmo após perder a presidência do diretório estadual para o deputado federal Vicentinho Júnior, pré-candidato ao Palácio Araguaia. Em declaração pública, Cinthia afirmou: “Não é quem sofre injustiça que deve abrir mão do espaço. Minha decisão foi permanecer, enfrentar e resolver a questão de dentro para fora”.
A decisão encerra semanas de especulações sobre uma possível saída da ex-prefeita durante a janela partidária, período em que recebeu convites de outras legendas e participou de articulações em São Paulo e Recife. No entanto, prevaleceu a estratégia de manter-se no ninho tucano, respaldada por lideranças nacionais do partido.
Consequências internas
A permanência de Cinthia no PSDB cria um ambiente de tensão interna. De um lado, Vicentinho Júnior consolida sua liderança estadual e se projeta como candidato ao governo. De outro, Cinthia mantém influência significativa, especialmente por sua posição nacional no PSDB Mulher e pelo histórico de gestão em Palmas. Essa dualidade pode gerar disputas de espaço e poder dentro da legenda, dificultando consensos e alianças locais.
Além disso, a decisão fortalece a imagem de Cinthia como liderança que não recua diante de adversidades, o que pode mobilizar apoiadores e ampliar sua base política, mesmo fora da presidência estadual.
Impactos no cenário tocantinense
No contexto político do Tocantins, a escolha de Cinthia tem efeitos relevantes:
* Disputa pelo Palácio Araguaia: A permanência dela no PSDB mantém o partido dividido entre duas forças — Vicentinho Júnior e Cinthia — o que pode fragmentar apoios e dificultar a construção de uma candidatura única.
* Reconfiguração de alianças: Outros partidos que sondavam Cinthia agora precisarão recalcular suas estratégias, já que ela segue vinculada ao PSDB.
* Fortalecimento da oposição interna: A decisão pode inspirar outros quadros tucanos a resistirem às mudanças de comando, criando um ambiente de maior pluralidade, mas também de conflito.
O que esperar
O futuro do PSDB no Tocantins dependerá da capacidade de conciliação entre Vicentinho e Cinthia. Caso não haja acordo, o partido corre o risco de entrar na campanha em 2026 fragmentado, enfraquecendo sua competitividade frente a outras legendas mais coesas. Por outro lado, se a convivência for administrada, o PSDB pode se beneficiar da força de duas lideranças com projeção estadual e nacional.
Cenários possíveis para o PSDB em 2026
PSDB unido
Caso Cinthia Ribeiro e Vicentinho Júnior encontrem pontos de convergência, o partido pode se apresentar como uma força coesa no Tocantins. Nesse cenário:
* Fortalecimento eleitoral: A união de duas lideranças com projeção estadual e nacional amplia a capacidade de mobilização e atrai aliados estratégicos.
* Maior competitividade: Um PSDB alinhado teria condições de disputar o governo com mais força, evitando a dispersão de votos.
* Imagem de estabilidade: A superação das divergências internas reforçaria a narrativa de maturidade política, algo valorizado pelo eleitorado.
PSDB dividido
Se a convivência entre Cinthia e Vicentinho se transformar em disputa aberta, o partido pode chegar às eleições enfraquecido. Nesse cenário:
* Fragmentação de apoios: Lideranças locais podem se dividir entre os dois polos, reduzindo a força da legenda.
* Perda de protagonismo: A divisão interna abre espaço para que outras siglas ocupem o vácuo e se consolidem como alternativas viáveis ao governo.
* Risco de isolamento: Sem consenso, o PSDB pode ter dificuldade em formar alianças sólidas, o que comprometeria sua presença no segundo turno.
Conclusão
A decisão de Cinthia Ribeiro de permanecer no PSDB não apenas reafirma sua posição como liderança resistente, mas também coloca o partido diante de um dilema estratégico: buscar a unidade para se fortalecer ou conviver com a divisão e correr o risco de perder relevância em 2026. O desfecho dependerá da habilidade das lideranças tucanas em administrar suas diferenças e construir um projeto comum para o Tocantins.

