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MNU/TO pede audiência com governador e critica possível fusão da Secretaria da Igualdade Racial

Movimento alerta que junção com a Secretaria da Mulher seria um retrocesso e defende manutenção de pasta autônoma no Tocantins

O Movimento Negro Unificado do Tocantins (MNU/TO) divulgou nota pública nesta quinta-feira (11) solicitando uma audiência com o governador Laurez Moreira (PSD) para tratar do futuro da Secretaria Estadual da Igualdade Racial. A entidade cobra um posicionamento oficial diante das notícias de que a pasta pode ser incorporada à Secretaria da Mulher na nova estrutura administrativa do governo.

Segundo o movimento, a fusão representaria um “retrocesso grave”, com risco de invisibilizar as pautas da população negra. “Um posicionamento oficial do governador é urgente e necessário, a fim de reafirmar o compromisso do Estado com a igualdade racial”, destaca o documento.

Conquista histórica

O MNU relembra que a criação da secretaria foi fruto de uma mobilização histórica, com participação do movimento desde a concepção, em diálogo com o Ministério da Igualdade Racial, em Brasília. Parte dos primeiros técnicos que estruturaram a pasta eram militantes do MNU, reforçando, segundo a entidade, o protagonismo da luta.

Desigualdades persistentes

Dados do Censo 2022 do IBGE revelam que mais de 75% da população tocantinense é negra, mas ainda enfrenta desigualdades profundas. A taxa de analfabetismo entre negros (8,0%) é quase o dobro da registrada entre brancos (4,4%). Entre idosos, 32,1% de negros são analfabetos contra 12,3% dos brancos. Já no ensino médio, apenas 78,4% dos jovens negros (15 a 17 anos) estão escolarizados, contra 90,6% dos jovens brancos.

Essas desigualdades também se refletem na saúde, no mercado de trabalho e na renda. Por isso, o movimento defende que políticas específicas são indispensáveis.

Projetos e conferências

Na nota, o MNU citou ações recentes da Secretaria da Igualdade Racial, como o Tech Inclusão, que qualificou 1.400 jovens em programação digital com auxílio financeiro garantido, e o Conectando Futuros, que capacitou 300 pessoas privadas de liberdade em jogos digitais, promovendo ressocialização.

Em 2025, a pasta também realizou seis conferências regionais e a 5ª Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial, em Palmas, mobilizando a sociedade e elegendo delegados para a etapa nacional em Brasília.

Defesa da autonomia

Para o movimento, apenas uma secretaria autônoma e fortalecida pode garantir a continuidade de políticas públicas estruturantes. “A fusão representaria um retrocesso grave, com risco de invisibilizar as pautas da população negra. Defendemos a manutenção da Secretaria da Igualdade Racial como instrumento permanente de luta contra todas as formas de racismo e pela promoção da cidadania plena”, conclui a nota.

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