Em discurso durante posse do PT Tocantins, deputado criticou histórico de instabilidade no estado e modelo da “compra de votos”
Na última sexta-feira (29), durante a cerimônia de posse da nova liderança do PT Tocantins, realizada no IFTO de Palmas, o ex-deputado estadual Paulo Mourão fez um discurso que, à época, soou como crítica à instabilidade política do estado, mas que ganhou contornos de previsão diante do afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) nesta quarta-feira (3), por decisão do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito da Operação Fames-19.
Na fala, Mourão lembrou a sucessão de crises e cassações que marcaram a política tocantinense desde a era Siqueira Campos, apontando um padrão de instabilidade e corrupção que, segundo ele, se repete ao longo das últimas décadas. [ https://www.instagram.com/p/DOJH6QoEYtF/ ]
“Nós temos uma missão muito grande que é enfrentar esse modelo da política da compra do voto. Observem só: depois do Siqueira eleito, que foi um grande governador, tivemos cassações de governadores e presidentes da Assembleia assumindo o estado. O Marcelo foi cassado, virou o Gaguim, que acelerou, mas foi de marcha ré. O Siqueira renunciou, entrou Sandoval, e onde foi parar? Na cadeia, cassado. Marcelo cassado de novo, Carlesse cassado de novo. Veio agora o Wanderlei Barbosa… ontem eu vi o Wanderlei andando de muleta, aí já é a queda. As pernas já não estão aguentando um governo apodrecido”, disse o parlamentar.
Contexto atual
Quatro dias depois desse discurso, o STJ referendou por unanimidade o afastamento de Wanderlei Barbosa e da primeira-dama, Karynne Sotero, por 180 dias, diante de indícios de corrupção, fraude em licitações e lavagem de capitais ligados a contratos de cestas básicas durante a pandemia.
O cenário reforça as críticas feitas por Mourão sobre a necessidade de combater práticas políticas que, segundo ele, corroem a credibilidade do Tocantins e impedem a consolidação de um modelo transparente de governabilidade.

