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Entidade Umbandista manifesta repúdio à CCJ da Câmara Municipal de Palmas

Comissão determinou arquivamento do Projeto de Lei que previa a inclusão dos Festejos de Iemanjá no calendário cultural da Capital

O Instituto Umbandista A Tenda do Caboclo, por meio de seu dirigente, o sacerdote Gildener Sousa, divulgou nota de repúdio à decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de Palmas, que na terça-feira, 2, arquivou o Projeto de Lei que previa a inclusão dos Festejos de Iemanjá no calendário cultural da Capital.

Para a entidade, a decisão da CCJ em negar a inclusão dos Festejos de Iemanjá no calendário cultural da cidade “não é apenas um ato de insensibilidade com a fé de milhares de cidadãos palmenses, mas também um gesto que revela racismo religioso e institucional”. Leia a íntegra da nota a seguir.

“NOTA DE REPÚDIO 

O Instituto Umbandista A Tenda do Caboclo, por meio de seu dirigente, o sacerdote Gildener Sousa, vem a público manifestar profundo repúdio à decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de Palmas, que nesta terça-feira, 2, arquivou o Projeto de Lei que previa a inclusão dos Festejos de Iemanjá no calendário cultural da Capital.

A decisão, tomada em claro descumprimento do Regimento Interno da Casa de Leis, fere não apenas o direito democrático ao debate, mas também a história, a fé e a cultura dos povos de terreiro, reforçando o silenciamento e a invisibilização de setores historicamente marginalizados.

A Umbanda é caridade e amor. Nosso terreiro, localizado em Palmas, acolhe semanalmente entre 150 e 200 pessoas todas as quintas-feiras, oferecendo apoio espiritual, acolhimento, escuta, empatia e solidariedade. Além disso, realizamos ações sociais como bazares beneficentes, doações a famílias em situação de vulnerabilidade e iniciativas educativas voltadas à compreensão da doutrina e ao fortalecimento da cidadania.

Negar a inclusão dos Festejos de Iemanjá no calendário cultural da cidade não é apenas um ato de insensibilidade com a fé de milhares de cidadãos palmenses, mas também um gesto que revela racismo religioso e institucional, ao reduzir a relevância social, cultural e histórica dos povos de terreiro.

O Brasil é um Estado laico, e sua Constituição garante a liberdade de crença e a igualdade de todos perante a lei. Qualquer tentativa de impedir a valorização das tradições afro-brasileiras configura uma afronta direta a esses princípios democráticos.

Reafirmamos que a Umbanda continuará exercendo seu papel de fé, acolhimento e transformação social, mesmo diante das tentativas de silenciamento. Exigimos respeito, reconhecimento e o direito de existir plenamente, com nossa cultura, nossa religião e nossa contribuição à sociedade palmense. 

Palmas, 3 de setembro de 2025 

Gildener Sousa

Sacerdote de Umbanda e Dirigente do Instituto Umbandista A Tenda do Caboclo”

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