*Por Ricardo Abalem
O ditado popular que dá título a este artigo é usado para representar fatos e coisas que são previsíveis ou quase certas de ocorrer. Processos inevitáveis que não podem ser controlados ou detidos depois que começam.
Assim como a água desce a encosta pela força da gravidade e o fogo sobe alimentado pelo oxigênio e pelo calor, existem situações, boatos ou crises que ganham impulso próprio e se tornam difíceis de conter.
Na política é frequentemente mencionado em crises institucionais, conjunturas sociais e tendências eleitorais para descrever um movimento que toma vida própria. Em sua maioria, claro, com respaldo empírico.
No Tocantins, esse segundo turno das eleições estaduais parece caminhar de acordo com a expressão citada.
Enquanto a candidata Professora Dorinha trabalha para apresentar ao eleitor a manutenção das bases políticas que a levaram em vantagem ao 2º turno, sem apresentar novas adesões de peso eleitoral nessa nova etapa, o candidato Vicentinho Junior criou uma forte agenda baseada nas novas adesões que recebe quase que diariamente.
Se Dorinha apresenta a manutenção de um aliado, mesmo importante, não significa (teoricamente) ganho de novos votos. Já a canalização de novos apoios à candidatura de Vicentinho daqueles que, no 1º turno não estavam em sua campanha, isso certamente tem mais peso na balança eleitoral.
A matemática é relativamente simples.
Se o candidato recebe a confirmação de um apoio “que já tinha”, não muda muito a perspectiva de sua futura votação.
Quando recebe uma nova adesão “de quem não estava com ele”, porém não estava também com o seu adversário, vai contabilizar um ganho em sua votação. Nesse caso, sem prejuízo na perspectiva de votação já obtida por seu concorrente.
Mas se um candidato recebe o apoio de um líder que “estava no palanque de seu adversário”, aí o peso é dobrado em sua projeção de votos. Na conta do seu adversário a retirada é também maior, um que ele perdeu e outro que ganha o candidato agraciado.
Na política a matemática nunca foi exata. Contudo, são os números que balizam qualquer análise e projeção feitos com seriedade e imparcialidade.
Na seara dos novos votos e das novas conquistas, Vicentinho apresenta incontestavelmente o maior ganho. Mas, assim como Dorinha tem feito o dever de casa, reunindo e motivando os apoiadores que permaneceram no seu projeto, Vicentinho além de receber e festejar a chegada dos novos aliados, precisa encontrar um caminho para alcançar realmente as bases desses novos apoiadores. Voto até se transfere, mas é um processo no mínimo complexo.
Capacidade de Transferência de Votos
Recordo-me de uma das conversas que tive com o Governador Siqueira Campos, quando tive a oportunidade e a honra de servi-lo como seu Porta-Voz. Perguntei a ele sobre a capacidade de transferência de votos de um líder político. Na ocasião, estávamos em Brasília, após um dia longo de visitas a alguns ministérios. Ele me disse que apostaria numa margem entre 10% e 15% de eleitores seguem naturalmente seu líder e que avançar desse percentual dependeria de alguns fatores. Dentre eles, o tamanho desse líder e a perspectiva de poder que o envolve.
Fiquei encantado com a resposta. Sempre gostei de estudar e debater sobre política. Citar a sabedoria e a perspicácia de Siqueira é redundância, mas ele deixou claro (para mim) naquelas poucas palavras duas coisas: Uma, que transferência de votos não é tão simples assim. A outra, que a tendência do eleitor, especialmente os indecisos e soltos, é seguir o fluxo mais favorável à vitória.
Afinal, Dinheiro e Poder só perdem para uma coisa… Perspectiva do Poder.
Faltam poucos dias para as eleições. Claro, tudo pode acontecer até o dia 25. Mas com base nas pesquisas de intenção de votos, até aqui divulgadas, e na onda de adesões que surfa a campanha de Vicentinho Junior, a tendência é que realmente a água continue descendo e o fogo subindo…
*Ricardo Abalem é Jornalista



