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Eleições 2026: Os contornos de um 2º turno

*Por Ricardo Abalem

Embora, política seja igual nuvem – você olha e está de um jeito, olha de novo e ela já mudou – como já dizia o governador mineiro Magalhães Pinto, aqui no Tocantins as eleições para governador dificilmente se encerram no dia 4 de outubro.

O 2º turno é previsto com base em todas as pesquisas de intenção de voto, até aqui divulgadas.

O jogo político sempre foi comparado a uma partida de xadrez. Naturalmente, em ambos, a capacidade de prever as possíveis jogadas futuras é o que diferencia os jogadores. Embora as previsões sejam baseadas em probabilidades, dificilmente os cenários não acompanham tais projeções.

Por esse prisma, com a estimativa de um segundo turno, como poderíamos fazer uma análise? E, de forma ética e imparcial, como apresentar os contornos desse possível quadro?

Lógico, precisamos nos basear nos números que as pesquisas trouxeram até aqui.

Escolhi o resultado de uma pesquisa encomendada por uma das entidades de maior credibilidade no Estado, a FIETO. A Federação das Indústrias contratou a Paraná Pesquisas, que divulgou o resultado no dia 17 de setembro.

Considerando as respostas estimuladas (quando os nomes dos candidatos são lembrados ao entrevistado) projetamos as condições de um possível 2º turno.

Na pesquisa encomendada pela Fieto (Paraná Pesquisas), a candidata Dorinha (UP) aparece com 40,6% das intenções de voto; Vicentinho Junior (PSDB) com 34,1%; Laurez Moreira (PSD) com 6,5%; Junior Siqueira (Democrata) com 4,9%; Ataídes Oliveira (Novo) com 2,8%; Du Pereira (DC) com 0,5% e Witer Naves (Psol-Rede) com 0,3%. Votos não aproveitáveis somam 10,4%.

Nesse cenário, teríamos um segundo turno entre Dorinha e Vicentinho.

Óbvio que se trata de “intenções de voto”, por isso esses percentuais podem oscilar. Porém, dificilmente com tendência a direção diferente.

Segundo turno é uma nova eleição, claro. Todavia, a diferença de votos entre os dois candidatos que passarem vai contar muito, mas não necessariamente vai definir o resultado. A conta é relativamente simples. Nessa projeção os votos em outros candidatos somariam 15% e os não aproveitáveis alcançariam a casa dos 10,4%.

Analisando o cenário aqui delineado, os candidatos vão disputar 25,4% dos eleitores que não votaram neles no primeiro turno. Importante ressaltar que 15% dos eleitores foram às urnas e depositaram o voto em outros candidatos. Eles podem optar por um dos finalistas ou engrossar a fila dos votos não aproveitáveis. E ainda tentar convencer parte dos 10,4% que não votaram a votar, missão quase impossível.

A matemática política exige cálculos mais complexos. Não se trata apenas dos números. Tem variáveis a se considerar. Não faltará exatamente 9,5 pontos pra Dorinha ou 16 pontos para o Vicentinho vencerem um segundo turno. A que se considerar nuances minuciosas.

Primeiro, a tendência é que os votos aproveitáveis no 1º turno sejam reduzidos no 2º turno.

No dia 4 de outubro teremos seis candidatos movendo os interesses dos eleitores a comparecer às urnas. Já no dia 25 de outubro apenas um ou dois candidatos, se a disputa presidencial também acontecer, motivarão os eleitores a sair de casa.

Outro fator precisa ser considerado nesse pendor. Com todos os 24 deputados estaduais, 8 deputados federais e 2 senadores já eleitos, a militância das campanhas proporcionais certamente já não terá o mesmo empenho. Nem os próprios candidatos (eleitos ou não) contarão com a mesma estrutura de suas campanhas. Isso é fato.

É importante que os eleitos estejam alinhados com o governo, sim, pois possibilitaria mais oportunidades de cargos e espaços. Isso alguns líderes até entendem, mas são minoria.

Mas para os parlamentares que hoje gozam de uma independência ímpar, empoderados pelas generosas emendas, ser situação ou oposição não vai mudar muita coisa. As emendas parlamentares têm peso e valem ouro, literalmente.

A verdade é que o(a) governador (a) eleito(a), seja quem for, vai precisar mais dos parlamentares para governar do que os parlamentares eleitos vão precisar do executivo estadual. Na destinação de suas emendas o céu é o limite. 

Como bons enxadristas, os dois candidatos ao governo com maior possibilidade de chegar ao segundo turno, já se preparam para a nova partida.

A corrida nesses últimos dias que antecedem as eleições em 1º turno, tende ser mais centrada na manutenção dos votos até aqui conquistados.

Todos já estão no limite de suas forças físicas, emocionais e financeiras. Na realidade, os que estão na frente rezam para chegar logo as 17h de domingo, dia 4.

E como tudo indica, dia 5 começa uma nova eleição. Aguardem, o processo será turbulento.

*Ricardo Abalem é Jornalista

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