O Tocantins é um estado de espírito em que se constroem caminhos e se possibilitam oportunidades, sobretudo para os que têm algo a dizer, a mostrar, fazendo, assim, a diferença daqueles que expressam um olhar equivocado da verdade, estes abraçados aos que persistem em enveredar pelos caminhos tortuosos da trapaça.
Basta descortinar o tabuleiro sucessório, de tempos em tempos, que lá estão eles, bailando unidos num redemoinho calculado, na busca insana de fazer da mentira uma verdade absoluta.
Esses alguns, em todo período eleitoral, insistem em provocar um rastro de desinformação, fazendo uso das redes para disseminar seus “projetos” de arrecadação, criando sites de ocasião que atropelam o jornalismo profissional e implantando institutos de pesquisa que manipulam números e os reeditam nas cartilhas dos produtos com resultados por encomenda.
Nos dois casos, tanto os institutos de pesquisa quanto esses nascentes veículos de comunicação mentem desmedidamente e de costas viradas para os ensinamentos do filósofo prussiano Immanuel Kant, que pontuou: “a mentira é inaceitável em qualquer situação, pois viola a autonomia e a dignidade humana, transformando pessoas em meios e não em fins”. Para ele, deve ser imperativa e categórica a prevalência da verdade, independentemente das consequências.
Essa nova realidade que impõe e normatiza a comunicação que vivenciamos é fruto da internet, um dos mais revolucionários instrumentos de interação entre pessoas desde a organização da sociedade, mas que, pela sua liberdade natural, tem como uma de suas premissas, mesmo que por olhares enviesados e caminhos tortuosos, promover voz e vez aos idiotas.
Lógico que muitos veículos de comunicação aqui no Tocantins nascem ancorados na certeza de que o jornalismo sério e profissional é, antes de tudo, vivenciar diuturnamente a primazia da ética e respeitar a grandiosidade da exatidão dos fatos. Ao contrário disso, é mercantilismo da informação, um desserviço à democracia e à cidadania plena.
E é por essas portas escancaradas das redes que adentram, e adentraram, esses novos veículos de comunicação, criados com o único objetivo de faturar, massageando egos e vaidades dos que nasceram sem brilho, sem carisma e rejeitados pelas urnas. Nascem cotidianamente da mente corrompida e doentia de assessores, familiares e correligionários de lideranças políticas e dirigentes partidários, com a determinação de fazer um jornalismo raso, descompromissado e de conveniência.
Assim também ocorre com vários institutos de pesquisa em atuação no Tocantins, que, por inúmeros motivos, todos cavernosos, aparecem repentinamente nesse período eleitoral. Na verdade, querem vender seus serviços, um negócio de mão dupla: números atendendo a pedidos, e o contratante se lambuzando na mentira, em êxtase, dança um sapateado fúnebre sobre suas catacumbas políticas, onde certamente será esquecido.
Nem Sigmund Freud, médico neurologista austríaco que fundou a psicanálise e morreu em 1939, poderia explicar um candidato pagando “rios de dinheiro” para, mentirosamente, ser alçado ao lugar que não lhe pertence. Sobre isso, Santo Agostinho disse uma verdade absoluta. Para ele, a mentira carrega o peso moral daquele que a pratica, o que o leva a chafurdar no lamaçal do embuste e da falsidade.
Esse masoquismo intelectual dos que pagam, aliado ao mercantilismo da informação exercido por esses comunicadores de ocasião, não pode ser normalizado por quem tem responsabilidade, ética e, acima de tudo, comprometimento e compromisso com a verdade dos fatos. Ou fazemos assim, juntos, ou seremos superados, separados.
*Edivaldo Rodrigues é escritor, jornalista editor chefe do Jornal O Paralelo 13

