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Eleições 2026: Fim da Janela Partidária II

*Por Ricardo Abalem

Como escrevi em meu último artigo, publicado aqui em O Jornal, dia 25 de março, muita coisa pode (e vai) acontecer até as 23:59 do dia 03 de abril. O fim da janela partidária, além de traçar contornos mais nítidos do cenário eleitoral, ainda deve provocar rupturas traumáticas e alianças inusitadas. Movimentações que se ajustarão mesmo nas convenções de agosto.

Em nível nacional se concretiza a previsão de Ronaldo Caiado (PSD) como pré-candidato à Presidência da República. Com Romeu Zema (Novo) ao seu lado ou como “colega” candidato, e a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) se mantendo na crescente, a movimentação da ala de centro direita caminha na direção de cumprir o seu papel: garantir o 2º turno e criar musculatura para 25 de outubro. A esquerda confirmou mesmo a dobradinha Lula (PT) e Alckmin (PSB) para a reeleição.

No Tocantins, a dança das cadeiras e a corrida para engrossar as fileiras partidárias parece estar longe de uma definição.  O “fator” Wanderlei Barbosa (Republicanos) pode redefinir todo o cenário com uma possível movimentação, prevista por muitos (embora negada por ele), de deixar o governo e ser candidato ao Senado.

Analisando friamente suas articulações, desde que retornou ao governo no dia 5 de dezembro do ano passado, o governador intensificou claramente os atos de Gestão. Andou mais e ampliou sua comunicação, principalmente nas redes sociais. Anúncios de concursos e, agora, esse “Pacote de Bondades” para os servidores poderiam ser entendidos como prelúdios de uma candidatura. 

A construção da chapa proporcional do Republicanos fortalece o grupo liderado por Barbosa, especialmente se concretizar sua candidatura ao Senado. A movimentação do amigo Amélio para o partido de Alexandre Guimarães, que eleito pelo Republicanos foi para o MDB com anuência de Wanderlei, também pode render frutos mais à frente ao projeto.

O processo que afastou o governador Wanderlei ainda tramita no Judiciário e tudo pode acontecer. Conjecturando… caso o processo tenha alguma movimentação, até o dia 3, na direção da permanência do governador no cargo, pode até ser que Wanderlei realmente permaneça no governo. Conclui seu mandato e se habilita naturalmente para disputar a Prefeitura de Palmas em 2028.

Mas havendo qualquer movimentação do processo que possa ser entendido como possível novo afastamento ou cassação, é natural que Wanderlei decline da intenção de concluir o mandato, renuncie em tempo e se candidate ao Senado. Capital político para concorrer não lhe falta. Sagacidade, história e sola grossa de sapato também não. Puxou o carisma do pai, o primeiro prefeito de Palmas Fenelon Barbosa e a força da mãe, a matriarca Dona Maria Rosa.

O certo mesmo é que a disputa no 1º turno, aqui no Tocantins, focará a eleição dos senadores e deputados federais. Após as convenções será cada um por si e Deus por todos. Tem pré-candidato ao Senado que pode disputar vaga de federal ou de vice-governador, depois de fazer as contas.

A tendência é uma disputa muito “bruta” para as duas vagas de senador e as oito cadeiras de federal. O jogo será pesado, com poucos limites. As lideranças terão peso de ouro e, mais uma vez, os vencedores vão dever pouco aos eleitores porque já pagaram a conta durante a campanha. É o retrato de um Brasil onde o poder econômico domina cada vez mais o campo político, que deveria ser um campo de representação de bandeiras e ideais. Vale tudo para chegar ao Congresso Nacional, infelizmente.      

Os pré-candidatos ao governo, a Senadora Dorinha (UB), o vice-governador Laurez Moreira (PSD) e o deputado federal Vicentinho Junior (PSDB) estão trabalhando bem nas articulações prévias e na composição dos grupos. Dorinha lutando para assegurar o capital eleitoral anunciado, enquanto Laurez e Vicentinho continuam avançando e conquistando mais espaços. Mas todos cientes que duas etapas desafiadoras vêm por aí. A primeira, passar para o 2º turno. A segunda, e tão importante quanto a primeira, ter feito uma caminhada que lhe permita o apoio de quem não chegou e capacidade (fôlego) para reiniciar uma campanha. Afinal ninguém quer nadar, nadar e morrer na praia.

Definitivamente, Política não é para amadores!   

Ricardo Abalem é Jornalista e Consultor Político.

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