Governo do Tocantins exonera mais de mil servidores; impacto humano preocupa
A primeira quarta-feira de novembro ficará marcada para centenas de profissionais da rede pública estadual. Uma decisão assinada pelo novo secretário de Educação, Hércules Jackson Moreira Santos, indicado político do senador Irajá Abreu, exonerou 1.127 contratos temporários e 14 cargos comissionados.
A medida, tomada a exatos 40 dias do Natal, foi anunciada pelo governo Laurez Moreira sob o argumento de “otimização dos recursos públicos” e “eficiência administrativa”. Em nota, a Secretaria de Educação (Seduc) afirma que a reorganização segue “critérios técnicos” e “não trará prejuízos ao funcionamento das escolas”. O governo ainda estima uma economia mensal de R$ 2,7 milhões, valor que seria destinado a ações prioritárias da pasta.
Mas, em meio a um cenário de crise e dívidas públicas, o impacto vai além dos números. Ele é humano e doloroso. “Identificamos situações em que havia servidores excedentes em determinados setores, sem prejuízo para o funcionamento da escola. Assim, estamos promovendo uma reorganização que preza pela legalidade, pela economicidade e pelo interesse público”, justificou o secretário.
Para quem vive o cotidiano da educação, porém, o sentimento é de angústia. A auxiliar de serviços gerais Janaina, moradora de Pedro Afonso, relatou ter sido uma das demitidas: “Quero relatar que fui demitida por esse governo. Esse Laurez é um perseguidor que persegue as mães de família que precisam do emprego. Esse governador que entrou agora tirou tantas pessoas do trabalho”, desabafou.
Enquanto isso, em Brasília, o governador Laurez Moreira tratava de outro problema estrutural: o déficit na saúde. Em reunião com o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, o governo do Tocantins pediu reforço financeiro de R$ 582 milhões para o fechamento das contas e manutenção dos serviços básicos. “O cenário é complexo e exige o esforço de todos. Estamos à disposição para trabalhar junto com a equipe técnica do Ministério e encontrar soluções o mais rápido possível”, afirmou o governador.
No fim das contas, como bons brasileiros, já sabemos de que lado a corda arrebenta: no da base, dos que sustentam a estrutura. A demissão em massa toca diretamente a formação de jovens e o futuro de quem educa. Como disse Paulo Freire, “a educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”.
Nós procuramos o Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sintet) sobre um posicionamento acerca das demissões, mas até o momento não tivemos retorno.
Por Karoliny Santiago, jornalista do O Jornal

